Galeria muda de quarteirão e reproduz prédio de Paulo Mendes da Rocha

Fonte: Folha.com

NATÁLIA ZONTA
DE SÃO PAULO

Qualquer semelhança não é mera coincidência. A menos de dois quarteirões de distância, a mesma fachada, os mesmos materiais e o mesmo projeto assinado pelo premiado arquiteto Paulo Mendes da Rocha poderão ser vistos em duas construções distintas.

Replicado em um terreno na avenida Valdemar Ferreira, no Butantã (região oeste), o prédio que hoje abriga a galeria Leme, na rua Agostinho Cantu, será demolido até o fim do ano para dar espaço a um edifício de escritórios. Para não perder a identidade -e não se desfazer de um espaço que adora–, Eduardo Leme, proprietário do local, decidiu reproduzir as instalações no novo endereço.

A mudança é resultado de uma longa negociação. Desde 2010, a Odebrecht tentava comprar a área de Eduardo. Após muitas conversas, os envolvidos chegaram a um acordo. Assim, a empresa comprou um terreno na região e agora constrói a galeria do jeitinho que ela é hoje.

“Não tivemos a ideia de usar o mesmo projeto imediatamente, mas, depois de conversar com os arquitetos, vi que nenhuma outra possibilidade me agradava. Sou muito tradicional nesse sentido”, conta Eduardo.

A única modificação é a construção de um anexo, um cubo de concreto armado, que funcionará como reserva técnica. “Quando abri a galeria, não imaginava que precisaria de mais espaço, mas agora é necessário”, diz o proprietário.

O novo local vai dar mais visibilidade ao projeto: hoje, a galeria tem dois vizinhos e apenas uma fachada é visível. O prédio substituto vai ocupar uma esquina e toda a sua lateral –um paredão de concreto– ficará à mostra. O anexo, que será ligado à galeria por uma passarela, também vai ajudar a mudar a paisagem da região.

“Metade da construção já está pronta e, até o fim do ano, deve ser inaugurada. A coexistência dos dois prédios vai depender da logística da mudança”, explica Gustavo Cedroni, do escritório de arquitetura Metro, que tem parceria com Paulo Mendes da Rocha. Atualmente, é possível ver as fachadas da nova estutura. Por isso, quem passa pela região já avista dois imóveis iguais.

O processo de mudança da galeria Leme é acompanhado por artistas do espaço e, provavelmente, o material produzido no período será transformado em uma exposição.
Entre os convidados, estão Rogério Canella, fotógrafo da sãopaulo, José Carlos Martinat, Sandra Gamarra e David Batchelor.

A galeria

Foi inaugurada em 2004 com a intenção de mostrar experimentos de arte contemporânea. O prédio tem 420 m2 e 9 m de pé-direito.

Hoje, representa artistas brasileiros e internacionais, com ênfase em América Latina, que trabalham em vários tipos de mídia, de pintura a vídeos.

Alguns artistas representados pela galeria são David Batchelor, Elaine Tedesco, Felipe Cama, JR Duran, Frank Thiel, Nina Pandolfo e Sandra Gamarra.

Antes de mudar de endereço, o espaço recebe, até 12 de novembro, a mostra da dupla dinamarquesa AVPD.

 

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