Artigo da Folha de S. Paulo sobre a 9a. Bienal Internacional de Arquitetura

(Folha de S. Paulo, 02 de novembro de 2011)

Bienal de Arquitetura vê cidades como um “laboratório” de ideias

Nona edição da mostra acontece na Oca e tem a construção do espaço urbano como tema

Exposição começa hoje com 400 projetos de 30 países e deixa o pavilhão da Bienal de SP pela primeira vez

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Fora do pavilhão que ocupou nas oito edições anteriores, a Bienal de Arquitetura de São Paulo, agora na Oca, não tem mais aqueles vazios incômodos. Mas também não conseguiu se livrar do aspecto de colcha de retalhos. Depois de cortar relações com a Fundação Bienal de São Paulo, a mostra de arquitetura abre hoje sua nona edição em outro prédio de Oscar Niemeyer no Ibirapuera.

Embora o conceito vago de “construção da cidadania” seja o mote geral, projetos díspares estão espalhados pela Oca -no térreo estão as representações nacionais, no andar de cima, um espaço do governo federal e, no último piso, projetos escolhidos pelos curadores da mostra.

No subsolo, visitantes vão poder inventar e montar uma cidade com peças de Lego. “Mais do que uma exposição, a ideia é que seja um grande laboratório”, diz Valter Caldana, curador da mostra. “Deve ser uma discussão sobre o processo de produção e construção de uma cidade.”

Na representação holandesa, o laboratório se estende até a rua. Um dos projetos da “arquitetura não solicitada” que o grupo preconiza é a singela intervenção numa rua do Brás, em São Paulo.

“Era um lugar movimentado, e os pedestres não conseguiam atravessar. Então desenhamos uma faixa no asfalto”, diz o curador holandês Jorn Konijn. “Arquitetura pode ser simples e ativa.”

Menos lúdica e mais histórica, a representação israelense na Bienal mostra a evolução do conjunto modernista de Tel Aviv desde os anos 30 até seus contornos atuais.

Seguindo o esquema arquitetônico das cidades-jardim, ideia do britânico Ebenezer Howard em que construções seriam rodeadas por cinturões verdes, Tel Aviv virou um celeiro de experimentações do estilo internacional com a migração em massa de europeus, entre eles muitos arquitetos da Bauhaus, que foram para a região nos anos 40.

“Tel Aviv é elo entre o início do modernismo e suas experimentações tardias, como Brasília”, aponta a curadora israelense Tal Eyal. “É a maior concentração de arquitetura moderna hoje no mundo.”