Enquanto isso, na biblioteca… [5]

Quinta historinha da série Enquanto isso, na biblioteca…, quadrinhos inspirados nos “memes” da internet e nas situações cotidianas que vivenciamos na biblioteca da FAUUSP.

Todas as historinhas são baseadas em fatos reais! Divirtam-se!

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Feliz Natal!

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Enquanto isso, na biblioteca… [4]

Quarta historinha da série Enquanto isso, na biblioteca…, quadrinhos inspirados nos “memes” da internet e nas situações cotidianas que vivenciamos na biblioteca da FAUUSP.

Todas as historinhas são baseadas em fatos reais! Divirtam-se!

 

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Enquanto isso, na biblioteca… [3]

Terceira historinha da série Enquanto isso, na biblioteca…, quadrinhos inspirados nos “memes” da internet e nas situações cotidianas que vivenciamos na biblioteca da FAUUSP.

Todas as historinhas são baseadas em fatos reais! Divirtam-se!

 

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Do you have everything you need?

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Nota de falecimento

 

A diretoria da FAUUSP comunica com imenso pesar o falecimento da Profa. Dra. Marlene Yurgel, do Departamento de História, ontem 14.12.2011, às 22 horas.

O enterro será hoje, às 13:00 horas, no Cemitério Israelita do Embu.

“A nova morada do modernismo” – Artigo da Revista Pesquisa Fapesp

A nova morada do modernismo

Pioneirismo “esquecido” de Warchavchki é revelador das tensões da vanguarda nacional

Carlos Haag

Fonte: Pesquisa Fapesp, Edição Impressa 189 – Novembro 2011

Num certo dia (1948), o arquiteto Lúcio Costa anunciou que a arquitetura moderna brasileira nascera no Rio em 1936, fruto da genialidade de Oscar Niemeyer no projeto do prédio do Ministério da Educação e Saúde. A partir de então, a história da arquitetura jogou para segundo plano aquele que era o ícone da construção vanguardista: Gregori Warchavchki (1896-1972), ainda que, uma década antes dos cariocas, ele já preconizasse uma arquitetura em compasso com os novos tempos, de linhas puras, sem adereços inúteis e que seria adequada ao país. Mesmo Mário de Andrade, que, em 1928, festejava seu pioneirismo, nos anos 1930 passou a atribuir a notoriedade do arquiteto apenas ao seu isolamento.

 

Casa da rua Itápolis, em São Paulo, 1930, vista dos
fundos do terreno, um exemplo notável da nova arquitetura

 

“Desde Lúcio Costa, a obra de Warchavchki foi considerada um esboço individual, sem papel decisivo na constituição da nova arquitetura, uma figura menor que teria preparado o terreno para Niemeyer, este sim capaz de transmutar o estilo internacional em algo instintivamente adequado à cena nacional”, observa José Lira, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), autor da pesquisa agora transformada em livro Warchavchki: fraturas da vanguarda (Cosac Naify), que contou com apoio da FAPESP. “Mas sua obra rompeu a prática acadêmica e a versão nacional do neocolonial, inspirando não apenas uma nova geração de arquitetos, mas a cultura e a sociedade brasileiras em processo de modernização.” Para Lira, por ser pioneiro, ele passou para a história da arquitetura como um episódio deslocado, fora do tempo e do espaço, avulso e ineficaz. Ou, nas palavras do professor da FAU-USP Carlos Lemos: “Warchavchki não fez prosélitos e se tivesse dependido dele a arquitetura moderna paulistana teria fenecido ao nascer”. “Durante décadas, ele foi injustiçado pelos arquitetos brasileiros que diziam que ele encarnava uma modernidade relativa na arquitetura, só iniciada com o MEC, esta sim uma obra pública e que daria início ao modernismo de nossa arquitetura. Mesmo a escala ou o campo privado da sua atuação era olhado como algo negativo”, analisa a historiadora Aracy Amaral, autora de Artes plásticas na Semana de 22 (Editora 34).

“Embora elo fundamental entre arquitetura e modernismo, ele é tão onipresente quanto mal conhecido.” Para Lira, ele não foi o “intruso” ligado às vanguardas internacionais e ao universo refinado dos salões, nem o imigrante solitário que trouxe a vanguarda da Europa para São Paulo. “Ele chegou ao Brasil, em 1923, sem grandes referenciais vanguardistas. Foi no espaço dinâmico de trabalho, cultura e sociabilidade de São Paulo que esboçou sua arquitetura, provavelmente com a ajuda do concunhado, o pintor Lasar Segall, que o apresentou aos modernistas”, diz o autor. Também foi fundamental seu trabalho na Companhia Construtora de Santos, de Roberto Simonsen. “Ali teve contato com o ambiente empresarial inovador, a construção taylorizada, e assimilou a conciliação entre ecletismo e tecnologia moderna. Por um paradoxo, foi num país industrialmente periférico que conheceu um polo de vanguarda engajado na reorganização produtiva do capital”, analisa Lira. Em 1925, funcionário da empresa, escreveu para um jornal da colônia italiana o artigo “Intorno all’architettura moderna” (republicado no Correio da Manhã como “Acerca da arquitetura moderna”), primeiro manifesto de arquitetura moderna do Brasil.

“Foi seu primeiro texto, mas os axiomas fundamentais o acompanhariam: defesa de uma arquitetura integrada ao mundo moderno, à indústria; o arquiteto como leitor lúcido da realidade e de suas limitações econômicas; ruptura com o passado; uso de novos materiais e técnicas”, observa Agnaldo Farias, da FAU-USP e autor da pesquisa A arquitetura eclipsada: notas sobre Warchavchki (Unicamp, 1990). “Para ele, a arquitetura deveria refletir o espírito de seu tempo, num circuito entre razão e máquina. Depois revelaria a natureza política do seu projeto: a construção de casas e fábricas em larga escala, propiciando, com um mínimo de custo, um máximo de conforto, em especial para os mais pobres.” Era o homem certo no lugar e momento exatos. O modernismo paulistano, amadurecido, questionava o ímpeto inicial de “destruição e guerra” em favor da ação positiva, de “construção”. Mas, desde o início do movimento, as ideias sobre arquitetura não acompanhavam o vigor do debate literário. “Entre os anos 1920 e 1930, viviam no impasse entre a defesa do neocolonial, visto, porém, como anacrônico por alguns, e o moderno ‘estrangeirado’. Se o primeiro não atendia à demanda da sociedade industrial, o outro subestimava o passado cultural brasileiro”, analisa o historiador Ricardo Forjaz Christiano Souza, autor de O debate arquitetônico brasileiro: 1925-1936 (USP, 2004). “A sintonia de Warchavchki com as tendências da arquitetura internacional despertou o interesse dos modernistas por ele, que deu o complemento arquitetônico de que eles careciam e antecipou, em metonímia, o novo movimento construtivo dessas vanguardas”, nota Lira. “Suas primeiras casas encenavam a passagem da ruptura à diluição do espírito de vanguarda, a imbricação entre ousadia formal e pesquisa local, a libertação do oficialismo acadêmico e uma série de recalques históricos, dramatizando o processo ocorrido havia pouco nas artes plásticas e literatura.”

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