Arquiteto paulista projeta escritório da Google em SP

Notícia da Folha.com

Arquiteto paulista projeta escritório da Google em SP

ALCINO LEITE NETO
DE SÃO PAULO

Você ainda vai ouvir falar muitas vezes de Guto Requena.

Quem é ele? Talvez já o tenha visto indo de bicicleta elétrica para o escritório em Pinheiros. Ou andando de patins na avenida Paulista.

Ou atuando como DJ em alguma festa. Ou, quem sabe, no clube Hot Hot, cuja arquitetura tecno-rococó-underground foi projetada por ele e deslanchou o hype em torno de seu nome.

O arquiteto Guto Requena assina o projeto do escritório do Google

Sim, você ainda vai ouvir falar muitas vezes de Carlos Augusto Joly Requena, 32, nascido em Sorocaba (SP), formado em arquitetura pela USP-São Carlos e um sujeito fascinado pelas mudanças que as novas tecnologias provocam. Foi este, aliás, o tema do seu mestrado: “Habitat Híbrido: Interatividade e Experiência na Era da Cibercultura”.

“No Brasil, a formação do arquiteto é muito centrada no modernismo, que eu gosto e valorizo, mas me dava preguiça na faculdade. Nós não temos arquitetura contemporânea, temos que levar a herança modernista o tempo todo nas costas”, reclama.

Niemeyer? “O Memorial da América Latina é um absurdo, não cria convívio público. O museu que fez em Curitiba é horrível, é um prédio dos anos 1950.” Lucio Costa? “Brasília não deu certo, é uma anticidade.” Paulo Mendes da Rocha? “Não entendo por que a Casa Comunista dele tem área separada para empregados.”

Quando o tema é arquitetura pública, ele também não poupa palavras. As estações de metrô em São Paulo? “São risíveis. Poderiam ser o lugar de uma nova arquitetura na cidade.” A Nova Luz? “Uma escandalosa gentrificação [retirada de populações pobres de áreas urbanas].”

ROMPIMENTO

Guto quer romper com toda essa herança. Abomina a tripartição burguesa das moradias (a divisão em três áreas: social, íntima e de serviços), que, para ele, já não corresponde à plasticidade dos hábitos contemporâneos.

“O indíviduo mudou, a família mudou. As casas devem abrigar usos muito diferentes e diversificados: serem desde um home office até um clube [noturno].”

Acredita na experiência democrática da interatividade e defende a linguagem da cibercultura. “As novas tecnologias acrescentam camadas poéticas inéditas à arquitetura.”

Por essas e outras, Guto foi o arquiteto escolhido pela Google para projetar, junto com AW – Athié/Wohnrath, os primeiros escritórios da empresa em São Paulo.

Esse não é o único grande projeto de Guto. Ele também assina, com Marcelo Rosenbaum, a criação do Edifício Brasil, prédio residencial de 30 andares, no Bexiga. E será responsável, com Maurício Arruda, pela reconstrução da Disco, uma das casas noturnas preferidas da elite paulista. Ali, enfrentará um desafio: desfazer pedra por pedra o projeto anterior, de Isay Weinfeld, antes de trazer à tona a nova imagem do clube.

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