Casas populares agora contam com alto padrão de execução

Inovação na construção de unidades do programa Minha casa, minha vida permite moradias com acabamento de primeira e baixo impacto no meio ambiente

Uma tecnologia de construção a seco foi utilizada pela primeira vez no programa Minha casa, minha vida, na cidade de Ponta Grossa, Paraná. O projeto-piloto, que entregou, no fim de agosto, 40 das 300 casas construídas (260 em alvenaria tradicional), serviu de laboratório para a empresa Saint-Gobain, que se baseou nos resultados de uma pesquisa desenvolvida pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

Segundo o diretor de projetos e marketing da Habitat, da Saint-Gobain, Paulo Perez, o sistema construtivo a seco, conceito já usado em vários países, é uma fórmula leve de construção que substitui as tradicionais alvenarias. É industrializado e composto por estrutura de perfis leves de aço, revestida por diversos materiais. O revestimento exterior é feito com placas planas de fibrocimento, sem amianto. .

A estrutura de aço pré-fabricada chega em partes ao canteiro de obras e a casa é montada no local. Posteriormente, é colocado o telhado, o revestimento externo e o isolamento térmico: “É uma montagem de uma casa na estrutura, onde tudo chega na obra na dimensão que será utilizada.”

A vantagem, segundo Perez, está na velocidade de construção. Considerando a fundação pronta, uma construção tradicional levaria 40 dias para estar no ponto de acabamento. Com o sistema, o prazo é de nove dias. Além do desperdício de materiais próximo de zero, tudo já vai parao canteiro de obras sob medida e o construtor não precisa dispor de espaços para manejo de rejeitos. Isso resulta numa obra mais limpa, melhor organizada, mais segura, melhor administrada e com o mínimo de impacto no ambiente.

Placas

O acabamento é outro grande diferencial do sistema de construção a seco. Os materiais empregados são os mesmos presentes em obras de alto padrão, resultando num produto final com acabamento totalmente diferente das habitações populares tradicionais. “Trata-se de uma verdadeira industrialização da construção, utilizando placas cimentícias sem amianto, produtos para isolação térmica e acústica em lã de vidro e placas de drywall”.

Soluções para o futuro
Além de baratear a obra e oferecer mais conforto, tecnologia está alinhada com a estratégia mundial de construção de moradias mediante os desafios da sustentabilidade

O desenvolvimento e adaptação do sistema de construção a seco à realidade brasileira foi conduzido pela Saint-Gobain nos últimos três anos. “O projeto teve início com estudos realizados pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) para as questões estruturais, foi acompanhado por uma empresa especializada em tecnologia de construção, o Centro de Tecnologia de Edificações (CTE), e submetido a vários ensaios técnicos conduzidos por instituições avaliadoras de credibilidade nacional, como o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT)”, detalha Paulo Perez, diretor de projetos e marketing da Habitat.

A Caixa Econômica Federal apoia a utilização de novas tecnologias por meio da aceitação de sistemas construtivos inovadores, na medida em que mantém um grupo de profissionais do quadro altamente especializado e reconhecido, inclusive no exterior, que conduz as análises com base nos relatórios dos ensaios das instituições técnicas oficiais dos sistemas inovadores.

Segundo o diretor da Habitat, o novo sistema a seco está alinhado com a estratégia mundial de oferecer soluções de construção para as casas do futuro, inovando permanentemente para que sejam confortáveis, econômicas e sustentáveis, e que respondam aos desafios da economia de energia, proteção ambiental e as necessidades de crescimento mundial na área de novas habitações.

Facilidades

Esse sistema induz, ainda, a uma qualificação da mão de obra. “É necessário que o aplicador seja treinado antes de trabalhar com o sistema, como ocorre com qualquer nova tecnologia que chega ao mercado. Uma melhor qualificação significa mais produtividade com menos esforço, o que é muito bom para o trabalhador”, esclarece Perez.

A empresa oferece treinamento gratuito aos profissionais no que se refere {a aplicação de seus produtos e também noções gerais de como o sistema é constituído. A companhia tem diversos centros de treinamento distribuídos pelo Brasil, além de um centro móvel. Realiza também treinamentos no próprio canteiro de obra para os profissionais da construtora em todo empreendimento ligado ao programa Minha casa, minha vida que utilize o sistema, desde que autorizado pela instituição financeira. Em caso de alguma necessidade de manutenção, as placas cimentícias e de drywall aplicadas internamente são de extrema facilidade para se trabalhar, tornando o conserto rápido e simples.

Palavra de Especialista: Jeito diferente de morar

Heloísa Pomaro – arquiteta*

“A execução de projetos em steel frame (construção a seco) remete a questões básicas da arquitetura e da engenharia que merecem ser citadas. Matéria nova tanto para construtores como para consumidores, a alternativa suscita mudanças de comportamento há tempo enraizado no jeito de morar brasileiro. Um caso simples, em uma parede que utiliza gesso ou placa cimentícia, por exemplo, um quadro será dependurado com um parafuso e não mais com o prego. Ao optar por esse sistema, o morador receberá um manual da casa, com instruções sobre como ela deverá ser usada. E, talvez, aí esteja a resistência de alguns. É preciso mudar conceitos antigos, adaptar-se à novidade. A cultura da manutenção da moradia é estimulada pelo sistema, que possibilita, por exemplo, o conserto rápido de problemas hidráulicos (três horas, em média, sem o famigerado ‘quebra-quebra’ que redunda em prejuízos e perda de tempo) e elétricos.”

Fonte: CBCA

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