Arquiteto Paulo Mendes da Rocha fala sobre o prédio do IAB-SP

Notícia da Folha de S. Paulo

“Todo mundo frequentava o restaurante que existia no mezanino, ao lado do móbile do Calder. A comida era muito boa. O responsável era o chef Xavier, um nordestino muito interessante. Xaxá gostava de ouvir conversas.

Num belo dia, chegamos para comer, e ele ofereceu um ‘melão à Frank Lloyd Wright’ [referência ao arquiteto que projetou o Guggenheim de Nova York]. Aceitamos.

pmr

Paulo Mendes da Rocha, 84, é arquiteto e o único brasileiro vivo ganhador de um Prizker (o “Prêmio Nobel da arquitetura”)

iab

Foto atual da sede do IAB-SP, que será reformada com vaquinha na web

Xaxá veio até a mesa, cortou um melão em espiral, puxou um lado para cá, outro para lá, e pronto: tínhamos um ‘Frank’.

Outro dia, ele propôs um ‘pêssego à Niemeyer’. Dois retângulos perfeitos de queijo branco entre duas metades de pêssego em calda, uma virada para cima, outra para baixo. Voilà: o Congresso Nacional num prato.

À noite, nos encontrávamos no subsolo. Eu frequentava o Clubinho dos Artistas porque tinha muitos amigos ali –Aldemir Martins, Mário Gruber, Rebolo… A maioria desses artistas doava obras, que logo eram penduradas nas paredes. Era um verdadeiro ‘club’, um ponto de encontro.

Vim trabalhar neste prédio há pelo menos 25 anos. Cheguei pelo mesmo motivo que muitos colegas: este é um edifício interessante.

Sua volumetria é marcante, e sua construção é fruto do engajamento de importantes arquitetos, numa iniciativa coletiva, independente do poder público. Mas não era fácil encontrar salas vagas no IAB.

Meu escritório anterior ficava no Conjunto Nacional [na Avenida Paulista com a rua Augusta].

Lá pelas tantas, algo raro aconteceu, alguém vendeu sua sala e eu vim. Hoje, como crônica da cidade, digo que também saí do Conjunto para me livrar dos crachás e roletas.

Arquiteto vira duas, três noites sem dormir fazendo projeto. Eu não queria nem tinha tempo para passar por seguranças, me apresentar, bater cartão.

Quando fui para o IAB, me tornei dono da casa: eu tenho a chave da porta do prédio. Desde então, entro sábado, entro domingo, saio tarde… um ir e vir sem dificuldades.”

Paulo Mendes da Rocha, 84, é arquiteto e o único brasileiro vivo ganhador de um Prizker (o “Prêmio Nobel da arquitetura”).
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