Arquitetura brutalista se popularizou no Brasil na década de 1960

Notícia da Folha de S. Paulo

GABRIEL KOGAN
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O brutalismo não nasceu no Brasil e não é só por aqui que esses prédios enfrentam problemas de conservação.

Em abril, o edifício Robin Hood Gardens, um maciço de concreto com 213 apartamentos, começou a ser riscado do mapa de Londres para dar lugar a um empreendimento de R$ 1,8 bilhão.

Arquitetos ingleses protestaram a favor da construção projetada em 1968, mas não teve jeito. Situações similares aconteceram em outros países da Europa e nos Estados Unidos.

Usando materiais crus como concreto aparente, a escola arquitetônica surgiu nos anos 1950, com obras como a Unidade de Habitação de Le Corbusier, mestre suíço da arquitetura moderna.

A ideia era levantar prédios ao mesmo tempo monumentais e austeros, sem elementos decorativos (mesmo a argamassa de acabamento, para deixar as paredes lisas, era considerada um excesso). Econômicos, contribuíam para a reconstrução das cidades do velho continente no pós-Segunda Guerra. O produto final era quase um raio-x da obra, com pilares e vigas escancarados.

Além disso, a arquitetura era funcional: o projeto privilegiava a praticidade. As cozinhas, por exemplo, deveriam ter uma organização perfeita –até a disposição de panelas e eletrodomésticos era milimetricamente planejada, para estarem mais à mão. Com isso se erguiam áreas mais compactas, economizando metros quadrados (e tempo de locomoção entre um cômodo e outro).

Por aqui, os “brutos” estrearam no Rio, como no Museu de Arte Moderna –que causou inveja até em Le Corbusier (“quis fazer esta coluna, mas não tinha armação desse tipo”, disse em 1962).

Se a corrente europeia não dava bola para a beleza, nossos projetos buscavam elegâncias nas formas, atentos às proporções e aos desenhos.

Não se tratava de um mero conceito estético. O brutalismo se firmou também como uma militância política.

Com o avanço da ditadura, muitos dos arquitetos se aproximaram do Partido Comunista. Com o AI-5, em 1968, tanto Artigas quanto Paulo Mendes foram afastados do cargo de professor na USP. Seus edifícios refletiam a ideologia da esquerda em espaços abertos, propícios a grandes manifestações.

Em 1969, Artigas, mesmo malvisto pelo regime, concluiu a Faculdade de Arquitetura na Cidade Universitária, que se tornaria o maior referencial do movimento em São Paulo.

A escola espalhou suas obras pelos quatro cantos da cidade. A ítalo-brasileira Lina Bo Bardi tropicalizou-a em projetos como o MASP e o Sesc Pompeia. Já Paulo Mendes da Rocha, com menos de quatro anos de formado, venceu o concurso para projetar o Ginásio do Clube Paulistano, em 1958 –26 anos depois, construiu o MuBE.

A nova geração paulistana, como Angelo Bucci e Milton Braga, revê ideias modernistas. A Praça das Artes, projetada pela Brasil Arquitetura e inaugurada em maio no centro de São Paulo, é um exemplo de edifício que revisita o brutalismo que endurece, sem perder a ternura, da Escola Paulista.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: