Ruy Ohtake passa Paulo Mendes em número de bens tombados

Notícia do Blog Seres Urbanos – Folha de S. Paulo

Ruy Ohtake nem sempre foi um arquiteto de obras extravagantes e coloridas. Têm sua assinatura uma série de residências de concreto aparente austeras e racionais, alinhadas com propostas do modernismo arquitetônico que vigorou até meados dos anos 1970.

Pois é a produção dessa fase brutalista de Ohtake que recebe agora o mais alto grau de reconhecimento da cidade de São Paulo. Seis casas projetadas pelo arquiteto foram tombadas, sem alarde, em dezembro do ano passado e estão protegidas contra alterações.

Com a decisão, Ohtake ultrapassa Paulo Mendes da Rocha em número de imóveis tombados em São Paulo: sete contra seis do prêmio Pritzker (contando a intervenção de Ruy no palacete Conde de Sarzedas e a de Paulo Mendes na Pinacoteca). São os arquitetos vivos com mais obras protegidas na cidade.

Tudo indica que Ohtake também é campeão entre os modernos (veja ao final desse post porque ainda não consegui confirmar essa informação). Está à frente de Rino Levi (seis obras tombadas) e de Vilanova Artigas (cinco obras), precursor da chamada escola paulista, na qual “se formaram” Paulo Mendes da Rocha, o próprio Ruy e toda uma geração.

A proteção do patrimônio moderno edificado da cidade é uma das grandes preocupações do Conpresp hoje. Seminários e debates com especialistas de outros órgãos e de universidades estão sendo travados continuamente para estabelecer conceitos e diretrizes que formem uma política de preservação específica para esses imóveis.

Casas como a residência Rosa Okubo já estão com 60 anos de idade ou mais: são velhinhas modernas. Mas, diferente das construções ecléticas, cheias de ornamentos, os imóveis modernos não se parecem históricos ao olhar desavisado ou leigo, o que torna mais difícil legitimar sua preservação entre a população.

E que história conta então essa produção agora tombada de Ruy Ohtake? Entre outras, a história de uma arquitetura paulista preocupada com questões sociais, com as condições dos trabalhadores das obras, e que buscava soluções racionais para a produção em escala de habitações de qualidade.

As casas

A arquiteta e técnica da prefeitura Dalva Thomaz elaborou um estudo com 118 páginas e diversas fichas para embasar a decisão dos conselheiros do Conpresp (o órgão do patrimônio municipal). No texto, ela analisa minuciosamente cada imóvel, e mostra o diálogo deles com a obras de outros autores do período. Segue um (minúsculo) resumo do texto de cada um das casas. Por sua qualidade, o trabalho da técnica em breve será preparado para publicação em livro.

Leia mais AQUI.

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