Procura-se desesperadamente uma biblioteca

Do blog Abecedário – Folha de S. Paulo

 

Ando um pouco monotemática. Tenho falado muito sobre a minha tese de doutorado, que estou escrevendo com muito suor.

Com o pouco tempo livre que tenho, escrevo durante à noite e aos finais de semana.

O problema é que não me concentro em casa. Por isso, procuro desesperadamente uma biblioteca para me concentrar, estudar e escrever.

Mas não encontro.

Na universidade na qual faço doutorado, a Unicamp, as bibliotecas funcionam em horário comercial e, algumas, à noite.

Aos finais de semana, esses espaços abrem apenas aos sábados até 13h. Ou seja: quem precisa estudar aos sábados à tarde ou aos domingos não tem chances.

A mesma coisa acontece nas bibliotecas da USP: nenhuma delas abre aos domingos. E estamos falando da melhor universidade do país.

24 x 7

Lembrei que quando estava estudando nos Estados Unidos, na Universidade de Michigan, a maioria das bibliotecas funcionava 24 horas por dia, sete dias por semana.

Tinham bibliotecários e tudo mais. E estavam sempre lotadas, incluindo aos domingos e  madrugadas.

Se eu não quisesse ir até a universidade, poderia caminhar duas quadras até a biblioteca pública do meu bairro.

RARIDADE

De volta a São Paulo, comecei a rodar a cidade atrás de bibliotecas públicas com horários flexíveis. Deve ter alguma, pensava.

Acabei descobrindo que, bom, a cidade mal tem bibliotecas públicas, muito menos com horários flexíveis. Em São Paulo, cidade com 11 milhões de pessoas, apenas sete bibliotecas públicas abrem aos domingos.

Estamos falando de um país em que esses espaços ainda são raridade, apesar de as bibliotecas serem obrigatórias: a lei de bibliotecas determina que todas as instituições de ensino tenham biblioteca até 2020.

Já existe até uma campanha, Eu quero a minha biblioteca, chamando atenção para o assunto e para o cumprimento das metas do governo.

FORA DA SALA 

Ter bibliotecas pelo menos nas instituições de ensino é importante para que todos os estudantes do país, nos mais variados níveis, tenham um espaço de pesquisa e de estudos.

As aulas expositivas são apenas uma parte do aprendizado. Outra etapa importante é realizada fora da sala de aula, ou seja, nas bibliotecas.

Como podemos ter bons índices de educação se nem temos bibliotecas?

Ou como podemos ter alunos estudiosos se temos bibliotecas com horários tão restritivos?

Uma resposta

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