O novo e o velho no Plano Diretor

Coluna publicada na Folha de S. Paulo.

Ao sitiarem a Câmara Municipal para pressionar pela aprovação do novo Plano Diretor de São Paulo, movimentos de moradia ocuparam o centro do debate sobre o tema. Mas o que eles querem e como suas reivindicações têm sido abordadas?

Para quem se informa pela grande imprensa, os manifestantes viraram uma espécie de “bode na sala”: a votação do texto final do plano dependeria da aceitação ou não, por parte dos vereadores, da alteração do zoneamento de dois terrenos para viabilizar sua “doação” para o MTST construir casas para seus militantes.

Seguiram-se então os argumentos contrários à medida: “não se pode mudar o zoneamento de áreas para atender a esse tipo de pressão”, “os movimentos querem passar na frente na fila do cadastro dos programas habitacionais”, “a Câmara não pode ser coagida por uma ocupação”.

Formulada nestes termos, a abordagem mais oculta do que revela o que de fato está ocorrendo na discussão do Plano Diretor.

Em primeiro lugar, quem acompanha a luta por moradia em São Paulo sabe que os movimentos têm uma agenda histórica pelo direito à cidade, incluindo propostas como a função social da propriedade, a demarcação de Zeis -áreas destinadas à habitação de interesse social, a cota de solidariedade, a destinação de recursos para compra de terras para habitação, a política de regularização de favelas e proteção em despejos e remoções, transporte público de qualidade e equipamentos de cultura e lazer nos bairros populares, que vai muito além de reivindicar terrenos.

Além disso, essa história de movimento “furar fila” não tem fundamento. No programa Minha Casa Minha Vida, que concentra hoje os recursos para construção de casas populares, apenas 1% dos recursos totais é destinado para a modalidade “entidades”, de apoio à construção de casas para cooperativas e associações, inclusive ligadas aos movimentos. Estes recursos não “concorrem” com os demais, nem tiram lugar de quem está na fila do cadastro.

Além disto, a decisão de votar ou não o plano está longe de depender do “equacionamento” do destino dos terrenos hoje ocupados pelo MTST. Esta passa sobretudo pela lógica predominante em nosso sistema político: a oposição tenta barrar qualquer iniciativa do governo , e a base “aliada” cobra preços cada vez maiores do Executivo para aprovar projetos de seu interesse.

Finalmente, pressões em torno das mudanças de zoneamento são o arroz com feijão das discussões dos planos: publicamente, como faz o MTST em relação às áreas que propõe transformar em moradia, ou as associações de moradores de bairros residenciais para resistir à verticalização e o sindicato da construção para aumentar coeficientes. Mas, também, muitas vezes sorrateiramente, sob pressão de um interessado com acesso a um vereador. As disputas de zoneamento no plano envolvendo o MTST são uma parte -pequena- da guerra de perímetros e destinos de zonas.

Junto a outros setores que se fizeram ouvir pela primeira vez, a presença massiva dos movimentos de moradia acompanhando passo a passo a discussão do plano contribuiu para tornar todo o processo mais público e dar mais evidência para a política fundiária, para além da velha contenda sobre a verticalização ou não, que sempre dominou a discussão dos planos.

Raquel Rolnik é arquiteta e urbanista e professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.

Revista Acrópole Eletrônica

A Revista Acrópole, importante publicação especializada em Arquitetura, editada em São Paulo entre 1938 e 1971 trouxe, ao longo de pouco mais de 34 anos, registro de realizações desenvolvidas principalmente por arquitetos de São Paulo, mas também com abrangência nacional e internacional. O conjunto dos artigos e propagandas veiculadas pela revista é um registro para o conhecimento dessa área ao longo dessas três décadas.

Recuperar e abrir a coleção da Acrópole em formato digital é trazer o testemunho de um rico período, à espera de desvendamentos por parte de pesquisadores com olhares das mais distintas disciplinas.

Para acesso a Acrópole Eletrônica clicar no link: http://www.acropole.fau.usp.br/

Lançamento do Website da Revista Acrópole Eletrônica

A Biblioteca da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) tem a grata satisfação de convida-los para participar do lançamento do Website da Revista Acrópole Eletrônica, a se realizar no dia 25 de junho de 2014 (quarta-feira), das 12 às 14 horas, na Sala da Congregação da FAUUSP, Rua do Lago, 876, Cidade Universitária, São Paulo.

O referido Website é o resultado do projeto “Digitalização e Acesso Online à Revista Acrópole: Conservação e Preservação da Memória da Arquitetura e Urbanismo”, que teve como objetivo disponibilizar, por meio da rede mundial de computadores, o conteúdo de uma importante publicação especializada em Arquitetura, editada em São Paulo entre 1938 e 1971.

O projeto teve o apoio da Pró-Reitoria de Cultura e Extensão Universitária da Universidade de São Paulo, e das herdeiras do diretor-proprietário da Revista Acrópole e da Editora Max Gruenwald & Cia., Sr. Manfredo Gruenwald, que gentilmente autorizaram a reprodução da revista, cientes da importância do legado e da disponibilização digital para o crescimento da pesquisa científica.

Contando com as participação de V.Sas., enviamos os nossos cumprimentos.

Atenciosamente,

Dina Elisabete Uliana
Chefe Técnica da Biblioteca

Canal da Biba no Youtube

Muitos de vocês devem conhecer a Biba, o manequim que faz diversas “performances” em frente à biblioteca da FAU no prédio Vilanova Artigas.

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Além do Facebook* (http://www.facebook.com/bibafauusp), a Biba possui um canal no Youtube*: https://www.youtube.com/channel/UCFUYeAFlPdPz318eedT_s3w

 

Acompanhe!

*Obs.: Os perfis da Biba nas redes sociais não são canais de comunicação oficiais de nossa instituição e não refletem, obrigatoriamente, as opiniões das bibliotecas da FAUUSP.

Primeira mostra póstuma de Niemeyer contrapõe criações clássicas a inéditas

Notícia da Folha de S. Paulo

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Numa sala toda branca, do chão ao teto, estão maquetes no mesmo tom de obras de Oscar Niemeyer, da Pampulha à Catedral de Brasília. Elas parecem surgir do nada, quase camufladas no branco, como se mais potentes como ideias do que como prédios.

De certa forma, a primeira grande mostra póstuma dedicada ao arquiteto, morto aos 104 em dezembro de 2012, transforma agora o Itaú Cultural, em São Paulo, numa espécie de laboratório de ideias.

Nesse ambiente, suas construções se tornam um pouco mais assombrosas do que quando vistas na paisagem real. Perdem o peso do concreto para exaltar a leveza dos traços do arquiteto —que fazia questão de manter certa austeridade nos desenhos, com poucas linhas.

Logo na primeira sala, está um rolo de 12 metros de papel com desenhos que Niemeyer fez diante da câmera para um documentário. Ele revisitava a própria obra enquanto ia descrevendo cada um daqueles projetos.

Do lado oposto da sala, estão mais 20 desenhos que formam uma espécie de resumo de sua obra, de projetos construídos, como a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, a outros nunca executados, como um museu em Caracas.

“É uma história da arquitetura contada por ele, uma espécie de testamento”, diz Lauro Cavalcanti, curador da mostra. “Isso é tudo aquilo que ele achava que deveria ser lembrado na obra dele. É o Oscar visto por ele mesmo.”

E, nessa visão, a obra construída tem a mesma relevância de projetos que nunca saíram do papel. Daí a força da mostra, que põe em paralelo a obra já realizada e aquilo que poderia ter sido e não foi, reunindo um poderoso acervo de projetos inéditos.

Entre eles, estão o desenho de uma casa circular que ele projetou para ser seu endereço de veraneio e nunca construiu, a sede da Companhia Energética de São Paulo, que une dois terrenos distintos por meio de uma passarela, um projeto para uma casa de concertos no Rio e uma das 12 versões do Auditório Ibirapuera.

Mas também chamam a atenção seus momentos de devaneio, que dão pistas sobre os rumos que sua arquitetura pioneira poderia ter tomado num futuro distante.

UNIVERSO SCI-FI

Num exercício digno de ficção científica, Niemeyer fez nos anos 1960 uma série de desenhos imaginando um mundo novo em que árvores cresceriam em ritmo ultraveloz, cápsulas antigravidade substituiriam os elevadores nos prédios e todo o conhecimento seria transmitido por eletrodos colados à cabeça.

Brasília, antes de construída, talvez tivesse o mesmo ar de ficção científica nos planos do arquiteto, mas passou a ser realidade concreta.

“É interessante ver aquilo já consagrado à luz das experimentações”, diz Pedro Mendes da Rocha, arquiteto da mostra. “Seu trabalho está sendo redescoberto em suas minúcias e pela sua riqueza.”

Na mesma veia futurista de Brasília e de seu universo sci-fi, Niemeyer também desenhou uma cidade revolucionária para o deserto do Neguev, em Israel, que acabou nunca saindo do papel.

Era uma enorme esplanada, no estilo da capital federal, com a diferença de que os carros circulariam por vias subterrâneas, deixando o nível da rua para pedestres. Nenhuma distância seria maior do que 500 metros e todas as casas dariam para jardins.

Outro projeto nunca construído e que também pode ser visto na mostra, de um centro comercial na Argélia, antecipa a criação das ilhas artificiais que se multiplicaram depois pelo Oriente Médio.

Dos mais ousados planos urbanos a prédios isolados que se tornaram ícones da arquitetura mundial, Niemeyer foi se revelando ao longo da vida um mestre da criação de espaços que arrebatam pela crueza e pela simplicidade.

“Existe a genialidade de prédios com volumetria exuberante soltos na paisagem, mas há ao mesmo tempo joias incrustadas no tecido urbano”, avalia Mendes da Rocha.

OSCAR NIEMEYER
QUANDO a partir de quarta-feira (04/06/2014), às 20h; de ter. a sex., das 9h às 20h; sáb. e dom., das 11h às 20h; até 27/7
ONDE Itaú Cultural, av. Paulista, 149, tel. (11) 2168-1776
QUANTO grátis

I Seminário Nacional sobre Urbanização de Favelas, na UFABC

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URBFavelas

Funcionamento das bibliotecas da FAUUSP nos dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo

Fique atento ao funcionamento das bibliotecas da FAUUSP (Cidade Universitária e FAU Maranhão) nos dias de jogos do Brasil na Copa do Mundo:

Dia 12/06/2014 – feriado – fechadas

Dias 17 e 23/06/2014 – abertas das 8h às 14h

Não haverá materiais com data de devolução para esses dias.