Palestra: Como montar o memorial descritivo no processo da licitação para a conservação dos acervos bibliográficos

Palestrantes: Lisely Salles de Carvalho Pinto (FAU/USP) e Maíra Cunha de Souza Maria (FD/USP)

Local: Auditório do Departamento Técnico do SIBiUSP
Rua da Biblioteca, s/n – Complexo Brasiliana – Embasamento (Subsolo)

Data: 05 de Agosto de 2015
Horário: 9-16h30min. Intervalo das 12h-14h.

Resumo: Troca de experiências na execução do memorial descritivo nas práticas de conservação nas Bibliotecas da USP. A palestra visa à promoção do diálogo com os especialistas conservadores-restauradores na decisão dos tratamentos, montagem do memorial descritivo conforme as especificações técnicas e acompanhamento dos setores administrativos das unidades nos serviços de conservação.

Inscrições AQUI

Os designers e suas criativas produções

Notícia do Jornal da USP

IZABEL LEÃO

O curso de Design da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP transforma os Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) dos alunos formados em 2014 em objetos de exposição no Museu de Arte Contemporânea (MAC), na Cidade Universitária. Em cartaz até 7 de agosto, a mostra “FAU Forma: Designers 2015” reúne 25 TCCs, que destacam como temática principal a preocupação com a dimensão social do trabalho do designer e um olhar direcionado às urgências da contemporaneidade.

Os projetos focam temas como a mobilidade urbana, a adequação de equipamentos a idosos, novos modelos de aprendizado, processos colaborativos mediados por plataformas portáteis, sustentabilidade e novas práticas de empreendedorismo. Segundo a professora Giselle Beiguelman, coordenadora do curso de Design da FAU, a exposição é fruto de um trabalho de uma equipe formada por professores e alunos. “Além do desenvolvimento dos TCCs, os alunos foram desafiados a conceber a exposição de ponta a ponta. Eles desenvolveram os displays, mesas, cadeiras, tudo com solução de baixo custo, pensando nos padrões industriais e sem sobras”, diz Giselle.

Jogo de dominó – Um dos trabalhos apresentados na mostra é de autoria de Mayara Pillegi Moura Santos, que em seu TCC, orientado pela professora Clice Mazzilli, desenvolveu um projeto que busca estimular a criatividade de crianças entre 7 e 9 anos através de quatro experimentos gráficos. Um deles propõe uma brincadeira de compor palavras. São peças em madeira colorida avulsas, como um jogo de dominó, que apresenta palavras cortadas ao meio e que, ao se juntarem a outras, geram novas palavras. Tem também um puzzle que propõe a criação de padrões gráficos, peças modulares para construir espaços bidimensionais e uma roleta que ajuda a desenhar novos bichos. “Cada experimento, a seu modo, buscou relacionar-se com as atividades cotidianas e recreativas das crianças, propondo estimular o lazer e a criatividade, apresentando-se como ferramenta para o fazer criativo: para o desenho, para a escrita, para a construção do espaço e para a construção de padrões gráficos”, explica Mayara.

Outro TCC apresentado na mostra é o Guia da Universidade de São Paulo, uma proposta de aplicativo para smartphone que oferece informações sobre a Cidade Universitária Armando de Salles Oliveira a seus visitantes e frequentadores. Ele foi desenvolvido por Marcella Monaco Jyo, orientada pela professora Daniela Kutschat Hanns. O guia apresenta os diferentes tipos de informações de forma organizada, com funcionalidades que facilitam a navegação pelo aplicativo e a localização do conteúdo desejado. “É de fácil utilização e conta com um layout agradável. Tem como objetivo possibilitar que seus usuários explorem e conheçam melhor o campus, proporcionando uma boa experiência em relação ao acesso às informações e à localização na Universidade”, destaca Marcella. Ela afirma que a ideia surgiu a partir de observações e experiências pessoais. “Eu mesma já me perdi dentro da USP e senti dificuldade em encontrar determinadas informações de maneira rápida e que estivessem centralizadas em um único meio”, observa.

Veículo – Mardem Pires das Dores, orientado pelo professor Marcelo Oliveira, propõe em seu TCC – também exposto no MAC – um projeto de veículo urbano voltado ao uso compartilhado, o Insieme. Ele explica que se trata de um design de carro exclusivo, com várias opções de customização por parte do usuário, como escolha de cor, grafismos e configurações pessoais. “Compacto, o carro pode levar dois passageiros, além de contar com suporte para bicicletas. O sistema de propulsão é elétrico, não emitindo poluentes durante o seu uso. Com formas ousadas e estilo, o Insieme é coletivo, individual e divertido. O diferencial é que o usuário pode dar ao carro um toque mais pessoal e personalizar diversas funcionalidades, tudo integrado à internet e acessível por meio de aplicativo de celular”, analisa.

Já Liane Sayuri Honda, orientada pelo professor Luis Claudio Portugal do Nascimento, desenvolveu um kit de cultivo de plantas de pequeno porte para crianças de 8 a 12 anos em ambiente doméstico urbano. “A intenção é influenciar indiretamente as crianças urbanas a terem mais afeto pelas plantas, para que, no futuro, possam ter mais respeito pelo ambiente”, destaca. Ela afirma que foi motivada a desenvolver o kit pela falta de consciência ambiental dos moradores urbanos e a falta de contato com a natureza, criando uma certa alienação. “Foquei nas crianças, pois acredito que é mais difícil gerar consciência ambiental nos adultos, que já têm suas manias e opiniões formadas. Através de um brinquedo que forma um elo afetivo na infância, acredito ser mais fácil plantar essa semente”, observa.

A exposição “FAU Forma: Designers 2015” está em cartaz até 7 de agosto, de terça a sexta-feira, das 10h às 18h, no Museu de Arte Contemporânea (MAC) da USP (rua da Praça do Relógio, 160, Cidade Universitária, São Paulo). Entrada grátis. Mais informações podem ser obtidas pelo site  www.fau.usp.br/fauforma/2015.

Web Seminário: “Reurbanização de áreas vulneráveis, projetos urbanos e de habitação social”

Ministrado por Milton Liebentritt de Almeida Braga, mestre e doutor pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) e professor da FAU-USP desde 2001. É palestrante em diversos institutos e universidades no Brasil e no exterior, tais como: Royal Institute of British Architects, Netherlands Architecture Institute, American Institute of Architects, Colégio Oficial de Arquitectos de Galicia, entre outros. Também é curador do URBEM – Instituto de Urbanismo e de Estudos para a Metrópole desde 2013.

Na palestra, Milton Braga, sócio do MMBB Arquitetos, apresentará projetos complexos, como a habitação social coletiva. Um destaque especial será dado aos projetos ligados à infraestrutura urbana, que abrem oportunidades mais evidentes para se pensar o desenho da cidade.

O evento, que acontece no dia 23 de julho, às 16h, é uma realização da Galeria da Arquitetura em parceria com a AsBEA – Associação Brasileira dos Escritórios de Arquitetura.

A apresentação terá duração de, aproximadamente, uma hora. Será realizada ao vivo pela Internet.

A inscrição pode ser feita aqui.

 

Fonte: Galeria da Arquitetura

Exposição de novas aquisições – de 13 a 17 de julho de 2015

Novas Aquisições 13.07.2015

Veja AQUI a lista de novas aquisições da biblioteca da FAUUSP (GRADUAÇÃO).

Ciclofaixas: é preciso implantar para corrigir

Notícia completa no site BAND.com.br

Alvo de guerra entre motoristas e ciclistas, as malhas cicloviárias de São Paulo têm erros, mas o melhor caminho é continuar investindo nelas

Karen Lemos noticias@band.com.br

Com a entrega de mais 2,7 km de malha cicloviária graças à inauguração da ciclovia na Avenida Paulista no último dia 28, a prefeitura de São Paulo já totaliza 334,9 km (dos 400 km previstos para o ano) de rotas para as bicicletas.

A implantação de uma ciclovia no cartão-postal da cidade, que muitas vezes serve de modelo para o resto do país, é o símbolo da vontade de transformar a bicicleta não apenas em uma opção ou alternativa para o trânsito caótico, mas em um meio de transporte efetivo, que chega para somar.

O difícil, no entanto, é fazer com que todas as peças da mobilidade urbana – incluindo o próprio ciclista – aprendam a conviver um com o outro em harmonia. Especialistas no tema consideram esse impasse normal, mas ressaltam a importância de se seguir adiante.

“Existe agora a necessidade da educação do trânsito voltada para o ciclista. Não só para o motorista, na hora em que ele tira a habilitação, mas também para quem anda de bicicleta e que, muitas vezes, não conhece as leis de trânsito”, destaca Roberto Braga, coordenador do laboratório de planejamento municipal da Unesp. “O pedestre também entra nessa equação; ele precisa se atentar aos carros e também a bicicleta, bem como cobrar o respeito pelo seu espaço.”

Professor na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP, Alexandre Delijaicov considera “louvável” os esforços da prefeitura que, na gestão Fernando Haddad, implantou 238,3 km de malha cicloviária desde junho de 2014. Mas só isso não basta.

O Brasil não tem normas técnicas para ciclofaixas. O que temos vem da Europa, cujo relevo por vezes é mais favorável do que o da capital paulista.

No entanto, na opinião dos especialistas, a prefeitura pode aprender com seus erros e, para isso, é preciso denunciar, fotografando e informando a prefeitura sobre irregularidades encontradas nas malhas destinadas às bicicletas.

“É algo que vai se aperfeiçoando. A implantação das ciclovias vai gerar uma série de novas demandas não só no que diz respeito a correção de vias como também na criação de dispositivos a favor do ciclista, como os paraciclos (suportes que permitem estacionar as bicicletas) em praças, calçadas e nas empresas, incentivando o trabalhador a trocar o carro pela bicicleta”, sugere o geógrafo Roberto Braga.

Implantar e corrigir 

Carros estacionados onde deveriam passar bicicletas, árvores ou postes no meio das ciclofaixas, término abrupto da malha cicloviária são alguns dos problemas que precisam ser enfrentados com paciência pelos ciclistas.

Na visão de Braga, entretanto, é preciso implantar para corrigir. “Precisamos entender também que nem todas as vias são ideais para o ciclista. Assim como não podemos entrar com o carro na contramão, fica inviável pedalar, por exemplo, em uma das marginais da cidade.”

Com algumas ressalvas, Alexandre Delijaicov considera a implantação correta. “Em avenidas mais movimentadas como, por exemplo, a Faria Lima, temos ciclovias [espaço segregado para fluxo de bicicletas] e um espaço amplo para pedalar, o que é o mais ideal naquele trecho.”

As subidas e descidas de São Paulo, na concepção de Alexandre, não são uma justificativa para a inviabilidade do uso da bicicleta na cidade. “Com ajuda de marchas, essas subidas ficam tranquilas”, observa.

Já as ciclofaixas (apenas uma faixa pintada nas vias) ou ciclorrotas (caminho apenas sinalizado para o ciclista) entre carros ou no meio de movimentadas avenidas podem representar um risco menor se houver respeito entre motorista e ciclista. “Se cada espaço for respeitado, a segurança está garantida”, ressalta Alexandre.

E quanto às longas distâncias? São Paulo, como sabemos, é uma das maiores cidades do mundo. “Nesse caso, vejo a bicicleta como um auxilio no transporte público. Por isso é importante a integração de ciclovias com estações de trem, metrô e corredores de ônibus. O usuário pode muito bem fazer o trajeto de bicicleta até uma estação, pegar o metrô e concluir novamente com a bicicleta”, aponta Roberto Braga.

O metrô de São Paulo já conta com vagões destinados aos ciclistas. Ainda assim, é possível alugar uma magrela em algumas das estações de bicicletas públicas pela cidade.

Conselhos da cidade da bicicleta 

Ex-morador de São Paulo, Roberto Braga vive atualmente em Rio Claro, no interior do Estado, onde dá aulas na unidade da Unesp da cidade. Rio Claro é conhecida como a cidade das bicicletas por possuir uma das maiores frotas de bicicletas por habitante do país. É a segunda, depois de Joinvile, em Santa Catarina.

“Senão fosse pela bicicleta, a situação aqui seria bem pior”, avalia o professor que já chegou atrasado a compromissos por ficar preso no trânsito dentro de um carro. ”Muitas pessoas que se mudam para Rio Claro percebem isso e, mesmo não tendo o costume de andar de bicicleta, acabam adotando esse transporte.”

Além de uma alternativa para o trânsito, a bicicleta também traz benefícios para a saúde e é sinônimo de uma relação mais ativa com a cidade. Quesitos que fazem especialistas crerem na aceitação das ciclovias e ciclofaixas em longo prazo.

Braga acredita também que, com o tempo, os paulistanos vão adotar esse costume. “Lembro-me de quando ninguém usava o cinto de segurança, mesmo no banco da frente. Quando eu era criança, meu pai comprou um carro e cortou o cinto de segurança fora, dizendo que não era necessário. Hoje, o uso do cinto de segurança é algo automático para o motorista. Qualquer novidade causa estranhamento, o processo será lento, mas eu vislumbro um futuro em que o paulistano ache a bicicleta a coisa mais normal do mundo e até se aventure a pedalar por aí”, torce Braga.

Curso Livre “Arquitetura e Pré-Fabricação: projeto e montagem de obras com utilização de componentes pré-fabricados”, na Escola da Cidade

1. APRESENTAÇÃO

No Brasil, a indústria da pré-fabricação de estruturas industrializadas vem nos últimos anos ganhando interesse pelo setor da construção e por este motivo tem se tornado um mercado promissor para os profissionais da arquitetura e engenharia, que podem desenvolver atividades na área de elaboração de projetos, na produção, e na montagem destas estruturas.

2. OBJETIVOS

Capacitar os participantes para o desenvolvimento de projetos em concreto pré-fabricado, argamassa armada, aço e madeira, como também atualização e ampliar conhecimentos de profissionais que já atuam na área. 3. PÚBLICO-ALVO: Arquitetos, Técnicos Especializados, Engenheiros e demais profissionais ligados à prática da construção civil. Estudantes de graduação em etapas finais de seu curso

4. CARGA HORÁRIA

O curso está estruturado em 12 h, com 4 aulas de 3 horas cada.

5. DIAS E HORÁRIOS DO CURSO

As aulas ocorrerão Quintas e Sextas-feiras, das 18 às 21h, nos dias 16 e 17 / 23 e 24 de Julho de 2015

6. ORGANIZAÇÃO

Valdemir Lúcio Rosa arquiteto e urbanista, graduação pela PUC CAMPINAS. Professor da Grade de Tecnologia e do curso eletivo, PRÉ-FABRICAÇÃO E CONCEPÇÃO ARQUITETONICA no 6º Ano no curso de Arquitetura e Urbanismo da Escola da cidade. Desde 1983 pesquisa pré-fabricação com Argamassa Armada, Gerenciamento de Fábrica de Pré-Fabricados para Escolas em Campinas (SP), com coordenação do arquiteto João Filgueiras Lima, Lelé, (1991/1993). Palestras e workshop em várias Escolas de arquitetura, Membro de conselhos gestores de Meio ambiente, Projeto de recuperação de área de ocupação em Brasília, 1999. Sócio e Diretor de Fabrica de Pré-Fabricados em Paulínia (2003/2010), Estudos de Habitação para o Haiti, Estudos para implantação de sistemas Pré-Fabricados para Nigéria (2013). Sócio/Diretor da VLR ARQUITETURA E URBANISMO, desde 1999 até o momento.

7. CUSTO

R$ 430,00

R$ 380,00 Alunos, ex-alunos e professores da Escola da Cidade

Fonte: Escola da Cidade

Exposição de novas aquisições – de 06 a 10 de julho de 2015

IMG_4221

 

Veja AQUI a lista de novas aquisições da biblioteca da FAUUSP (GRADUAÇÃO).

Curso de Difusão “Proteção de Bens Culturais: concepções e práticas”, no CPC-USP

proteção

 

Ministrante: Profa Dra Marly Rodrigues

Pré-inscrições até 12 de julho.

Diante da crescente ampliação do conceito de patrimônio cultural, vem se tornando cada vez mais necessário divulgar e discutir sua importância enquanto vetor de memórias sociais e o desempenho dos órgãos de preservação na constituição desse universo de representações culturais. O objetivo do curso é apresentar e discutir o desenvolvimento da ideia de proteção aos bens culturais a partir do conjunto de bens tombados e/ou protegidos por meio de outros instrumentos legais pelo poder público, entre as décadas de 1930 e 2000, com destaque para os momentos de transformações conceituais e metodológicas que influíram nos resultados obtidos.

PROGRAMA
Encontro 1 – A PRESENÇA DO PASSADO NO COTIDIANO
Observação das práticas cotidianas: a sociedade e o lugar de seus diversos passados.
Os passados representados no universo de bens protegidos pelo poder público.
O sentido social da construção de passados.
Passados e cultura material: os significados individuais e coletivos.

Encontros 2 e 3 – A INSTITUCIONALIZAÇÃO DE UM PASSADO COLETIVO: IDEIAS E PRÁTICAS, 1930 – 1970
Contextos histórico-culturais.
Contornos de um campo específico de conhecimento: a preservação de bens materiais.
A nação brasileira como protagonista da preservação.

Encontro 4 e 5 – A INSTITUCIONALIZAÇÃO DE UM PASSADO COLETIVO: IDEIAS E PRÁTICAS, 1970 – 1990
Contextos histórico-culturais.
Novas questões: memória e ambiente.
Outro personagem, a cidade: preservação, funções e re-apropriação dos espaços públicos.
Mundialização de valores culturais particulares.

Encontro 6: A INSTITUCIONALIZAÇÃO DE UM PASSADO COLETIVO: IDEIAS E PRÁTICAS, 1990 – 2010
A ampliação do universo conceitual e a prática preservacionista em São Paulo.
Entes administrativos brasileiros e as responsabilidades de proteção aos bens culturais.
Preservação e políticas públicas.

Encontros 7 e 8 – DOS ARTEFATOS AOS FAZERES
As representações imateriais e a preservação de bens culturais.
Os atuais instrumentos legais de proteção aos bens culturais.
Desafio: redesenho de competências; gestão.

Público-alvo: amplo, de interessados, profissionais e estudantes

Período: 4 a 27/8, terças e quintas-feiras, das 18 às 21h.

Carga horária: 24h

Pré-inscrições até 12/7/2015 no link http://goo.gl/forms/kODyHkVuai

Total de vagas oferecidas: 40

Taxa de inscrição: R$ 180,00 (inscrição + envio do certificado pelos Correios)

Vagas gratuitas: 5
Docente: 1
Discente: 1
Funcionário: 1
Terceira idade: 1
Outros/Comunidade: 1

Política de Isenções
Serão vistos caso a caso, pela Diretoria do CPC, sendo os critérios: 1) ordem de solicitação no ato do envio da ficha de pré-inscrição. 2) sócio-econômico – que possibilitará beneficiar aqueles que não tenham condições de pagar a taxa de inscrição.
IMPORTANTE: manifestar intenção pela isenção da taxa.

Critérios de Seleção
Análise de justificativa de intenção.

Critérios de aprovação
Frequência mínima exigida de 85%, bem como participação nas atividades. Carga horária mínima de 21h para aprovação do aluno.

Fonte: CPC-USP

Mestrado de aluna da FAU é matéria da Agência Universitária de Notícias

Notícia da Agência Universitária de Notícias

Equívocos de planejamento causam dificuldades em assentamentos rurais

Estudos mostraram falhas presentes nos projetos dos lotes, bem como diferenças entre plano e construção em si

Por Dimítria de Faria Coutinho – dimitria.faria@gmail.com
Edição Ano: 48 – Número: 51 – Publicada em: 17/06/2015

Pesquisa recente realizada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) mostra que a realidade em assentamento rurais é bem diferente do que a prevista pelos projetos. Os estudos fazem parte da dissertação de mestrado da pesquisadora Marina Caraffa e utilizaram como alvo de observação o assentamento Zumbi dos Palmares, localizado na região de Iaras, em São Paulo.

Os problemas na construção de assentamentos rurais começa com a falta do Plano de Desenvolvimento do Assentamento, etapa preliminar ao  projeto, que, por sua vez, geralmente não leva em conta as questões urbanísticas, mas apenas as agrárias e econômicas. Uma das questões que mostra isso com clareza são as grandes distâncias  percorridas nos assentamentos. O tamanho da área ocupada, sua forma de parcelamento, a localização de cada casa no lote e a distância do assentamento em relação à cidade são fatores que deveriam ser considerados durante o projeto, mas não é isso que acontece.

Com o mau planejamento, tais distâncias acabam sendo maiores do que deveriam, trazendo  dificuldades de locomoção aos assentados. Sobre isso, Marina explica que as famílias, que na maioria das vezes não possuem carro, acabam percorrendo grandes distâncias a pé, já que o transporte público nessas regiões é outro grave problema. “No momento de fazer o projeto a escala do pedestre não é considerada, apelas levam em conta a questão da produção.”, diz a pesquisadora.

Além dos problemas com as distâncias, muitos outros equívocos podem ser encontrados nesses planejamentos. Um deles é fazer o projeto sem considerar as características físicas do terreno. Isso pode gerar situações de vulnerabilidade ambiental. Durante os estudos de campo, a própria pesquisadora passou por um momento difícil relacionado a isso : “nos dois dias [em que estive lá] choveu na parte da manhã, eu praticamente não consegui acessar a maioria dos lotes. As estradas ficam encharcadas e o solo fica argiloso, criando situações de atoleiros e alagadiços. Essa situação muitas vezes não ocorre só em função do tipo de solo, mas também porque o traçado não está favorável ao terreno. Em dias como esses os assentados ficam isolados. Na ocasião verificamos que o ônibus do transporte de escolares, devido às condições das estradas, estava quebrado.”.

E os problemas no planejamento não param por aí. Há falta de infraestrutura no que diz respeito a saneamento básico. Ademais, há precariedade nas estradas, falta de escolas, comércio e prestação de serviços. Nada disso é planejado previamente, fazendo com que as famílias assentadas fiquem numa situação precária ou de irregularidade, como se os assentamentos fossem uma grande favela rural.

Outra complicação se dá na própria estrutura da unidade habitacional. Muitas vezes a área da casa e o tamanho dos cômodos não são suficientes para atender o modo de vida. “A cozinha com previsão de fogão não considera as dificuldades de acesso à botijão de gás para abastecimento.”, exemplifica a pesquisadora.

Outra questão problemática está relacionada ao meio ambiente. Não há, no processo de criação do assentamento Zumbi dos Palmares, um levantamento que indique as massas de vegetação existente ou a topografia do terreno. A pesquisa observou, por imagens via satélite, que ao longo do tempo as áreas de reserva ambiental deram lugar a novos lotes prejudicando, assim, o meio ambiente.Ainda que haja leis sobre a questão ambiental, estas não são respeitadas devido ao caráter emergencial dos projetos.

Do projeto à construção

A construção das casas nos assentamentos também apresenta dificuldades. Isso acontece porque o que está previsto no  programa de provisão é muito diferente da realidade que pode ser colocada em prática.

Em primeiro lugar, o planejamento é feito para que as habitações sejam construídas a partir de mutirões. Mas o que se vê na aplicação, em alguns assentamentos paulistas, principalmente no Zumbi dos Palmares, são construções feitas de maneira quase que individuais. Essa situação é decorrente da falta de articulação entre as famílias, dificultada pela extensão das fazendas, entre outros problemas. A divisão das famílias para o mutirão de construção das casas é feita por ordem da chegada dos documentos, não levando em consideração a proximidade ou relação social entre os núcleos familiares, dificultando a união dos assentados para a formação de mutirões.

Outra problemática na construção das habitações é o atraso na entrega de materiais. Esse atraso decorre, mais uma vez, da falta de estrutura dos assentamentos, que apresentam grandes distâncias a serem percorridas por quem deseja acessá-los.

É importante ressaltar que as metas não cumpridas nas obras estão diretamente associadas às dificuldades de articulação social, somada a certa falta de interesse político e à burocracia dos processos. Quanto mais se demora no papel, mas a prática é prejudicada.

Como resolver a situação

Existem, porém, recomendações a serem seguidas para que tanto os projetos de assentamentos sejam mais bem pensados, refletindo melhorias para os moradores, quanto tais projetos sejam possíveis de serem praticados regularmente. Marina sugere o aumento da capacidade operacional do Incra, órgão que regulariza tais assentamentos para que os Planos de Desenvolvimento possam ser elaborados em conjunto com as famílias, resultando num desenho de ocupação mais favorável ao estabelecimento das mesmas. Outra sugestão seriam assistências técnicas multidisciplinares capazes de gerar processos mais participativos no desenho de habitat que se forma com a implantação do assentamento.

Em segundo lugar, a pesquisadora propõe mudanças que dizem respeito ao ambiente do local. “Faria recomendações, por exemplo, do uso de infraestrutura verde e agroecologia para organização do parcelamento, gerando um ambiente construído favorável à suas condições ambientais, favorecendo as dinâmicas do cotidiano das famílias assentadas.”.

É importante lembrar que a preservação do meio ambiente local pode ajudar no cotidiano das famílias assentadas. Um exemplo é o manejo dos eucaliptos – abundantes na região do Zumbi dos Palmares – nas estradas que circundam o assentamento gerando, assim, um sombreamento para os moradores que percorrem grandes distâncias a pé. Mesmo que determinada vegetação existente não seja favorável à produção agrícola – como é o caso do eucalipto – ela pode ser utilizada para outras funções, sem que isso acarrete o desmatamento.

Você pode acessar a cópia impressa da dissertação na biblioteca da FAUUSP da pós-graduação (FAU Maranhão) – localização: 043:72 C258p ou pode fazer download do PDF com a dissertação na íntegra, na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.