Casa modernista de 1949 era confundida com igreja e fábrica; conheça

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Ledy Valporto Leal
Do UOL, em São Paulo

23/06/2015 07h00

O arquiteto João Batista Vilanova Artigas, que faria 100 anos em 2015, tinha apenas 34 quando construiu esta residência sexagenária (1949), para moradia de sua família (ele, a mulher e dois filhos pequenos). Situada no bairro do Campo Belo, na capital paulista, a Casa do Arquiteto, como é chamada, foi implantada em um terreno com 1.000 m², onde já havia a “Casinha”, construída por ele sete anos antes. Atualmente, as duas construções permanecem no local, separadas somente pela cerca-viva e tombadas pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio  Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), como patrimônio histórico.

Estes poucos anos que separam as residências demarcam claramente dois períodos da produção do arquiteto, que ocupa posição ímpar no cenário arquitetônico nacional: foi um dos expoentes do Modernismo e da vertente do Brutalismo conhecida como “Escola Paulista” e projetou obras importantes como a sede da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), na década de 60, e o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi (1952-1970). Artigas (1915-1985) influenciou decisivamente gerações de arquitetos, tanto através de sua obra, quanto como professor da USP.

Enquanto a “Casinha” é o lar do casal sem filhos e está identificada com a corrente organicista de Frank Lloyd Wright (1867-1959), a Casa do Arquiteto liga-se ao racionalismo de Le Corbusier (1887-1965). “A primeira emprega telhado tradicional com longos beirais e janelas até o teto, dispensando vergas (reforço estrutural). A segunda se caracteriza pelo uso do concreto armado na estrutura e pela ampla presença do vidro nas vedações”, explica o arquiteto e professor Alberto Xavier.

Artigas vale-se aqui de uma arquitetura “com personalidade, dotada de uma certa severidade na aplicação de princípios como: volumes geométricos claros e definidos, com preferência por coberturas convergentes (“telhado borboleta”), ambientes dispostos em pisos desencontrados, transparência e interpenetração espacial”, ressalta Xavier. Ou, mais especificamente, a casa – segundo  a historiadora e filha do arquiteto – Rosa Artigas, “formalmente acompanhava a linguagem da recém-inaugurada ‘arquitetura moderna brasileira’, identificada com a obra de Oscar Niemeyer, na Pampulha (1942)”.

Apesar de extremamente compacta (6 m x 27 m, o que permitiu recuo frontal com dez metros), a residência apresenta uma fisionomia dinâmica e espacialmente rica. Nela, o salão de estar, com janelas altas nas duas faces principais, abre-se para o grande vazio do terraço com pé-direito duplo,  arrematado pelo estúdio-biblioteca disposto sobre pilotis. Os espaços são interligados por uma escada contida, encaixada entre panos de vidro, e capaz de marcar significativamente este vazio com sua elegante silhueta.

Anti-burguesa

Na hierarquia da construção, o ambiente mais importante é a sala, destinada ao convívio. Ela foi palco de reuniões diversas, entre as quais as que agitavam o movimento estudantil nos anos 1960, promovidas por amigos e colegas dos filhos do arquiteto. Porém, as mais emblemáticas foram as do Partido Comunista, do qual Artigas era integrante. Estes, aliás, foram os encontros mais frequentes e históricos, segundo Rosa.

A casa em si é militante: conceitos de natureza ideológica  –  como a oposição aos hábitos da família burguesa, fortemente enraizados na sociedade da época – se manifestam no projeto. Na residência estão ausentes o quintal tradicional e o quarto de empregada. A cozinha, sem portas, é posicionada no “âmago” da construção e está conjugada aos banheiros, formando um “núcleo hidráulico”. Os espaços ganham uma hierarquia de comuna: sala de estar com dimensões generosas e quartos pequeninos e a disposição da garagem em ângulo quase periférico, de 45 graus à frente da casa, retira a importância do carro frente às pessoas.

Estas características tão peculiares, naturalmente, causavam estranheza às pessoas que por ali passavam em meados do século passado. Ou, como bem lembra a filha de Artigas, “elas tocavam a campainha para perguntar se era fábrica, oficina mecânica, igreja”. A obra do arquiteto, assim como sua pequena casa, estava à frente de seu tempo.

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Seminário “Casas Solares: da Teoria à Prática”, na FAUUSP

 

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“Casas Modernas: Preservação, Restauro, Visitação”, na Casa de Vidro

lina

Lina em Casa: Percursos inova com programação especial que acontece no espaço expositivo em quatro sábados  até o final da exposição.

Serão quatro rodadas de encontros, iniciando em 09 de maio, com a proposta de discutir os eixos que norteiam a narrativa dos 27 painéis que revelam o pensamento e o modo de vida de Lina Bo Bardi na Casa de Vidro.

13/06
Casas Modernas: Preservação, Restauro, Visitação
Ruth Verde Zein e Sonia Guarita Amaral

O Instituto Lina Bo e P.M. Bardi convida para o terceiro evento do programa Lina em Casa: Encontros, que acontece no próximo dia 13 de junho, às 16h, no Casa de Vidro no Morumbi.

O tema “Casas Modernas: Preservação, Restauro, Visitação” será debatido por Ruth Verde Zein, Professora da UPM e Presidente do Docomomo SP e Sonia Guarita Amaral, Coordenadora Regional do CECA/ICOM América Latina.

13/06 às 16h
Casa de Vidro – Morumbi
Rua General Almério de Moura, 200
05690-080, São Paulo / SP

Inscrições

Fonte: Instituto Lina Bo Bardi

Apenas quatro casarões ainda sobrevivem na avenida Paulista, em SP

Notícia da Folha de S.Paulo

RICARDO GALLO
VANESSA CORREA
DE SÃO PAULO

Contam-se nos dedos, literalmente, os casarões que restam na avenida Paulista, a mais conhecida via de São Paulo: quatro -uma mansão decrépita por fora, duas agências bancárias e um museu.

No domingo, um casarão da década de 1960, entre a rua Pamplona e a alameda Casa Branca, foi demolido. Ele dará lugar, futuramente, a um prédio de escritórios.

Da Paulista dos barões do café, há apenas o casarão do número 1.919, entre a rua Padre João Manuel e a alameda Ministro Rocha Azevedo.

Erguida em 1905, foi residência do cafeicultor Joaquim Franco de Mello. Hoje, ali mora Renato, neto dele.

Aparentemente em mau estado de conservação, o imóvel terá que ser restaurado com ajuda do Estado e da prefeitura, embora seja particular, segundo decisão da Justiça da semana passada.

Segundo Renato, o local é “perfeitamente habitável”.

Trata-se de um dos dois casarões tombados pelo órgão patrimônio histórico ali: o outro é a Casa das Rosas, de 1935, no final da Paulista. Um imóvel tombado não pode ser demolido e, para ser modificado, requer autorização.

A casa em estilo neoclássico na esquina da Paulista com a Ministro Rocha Azevedo não é tombada. Mas está no entorno de bens protegidos, o que obriga o inquilino (o banco Itaú) a também pedir aval se quiser fazer obras.

O único casarão “desprotegido” (sem tombamento) é a agência do Santander que fica no número 709 e, até a década passada, abrigava uma unidade do McDonald’s.

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Casa das Rosas, projetada por Ramos de Azevedo e concluída em 1935, é tombada pelo município

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Construído após a década de 1940, o prédio não é tombado

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Da década de 1960, precisa de autorização para ser reformado

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Construído em 1905 pelo cafeicultor Joaquim Franco de Mello, é tombado pelo Estado e pela Prefeitura

IMPORTÂNCIA

Nádia Somekh, presidente do Conpresp, o conselho de patrimônio da cidade de São Paulo, afirma que os dois imóveis tombados na Paulista representam o período dos palacetes ecléticos dos barões do café, construídos do início do século até a década de 1930.

Os erguidos depois não ajudam a contar a história da avenida, diz Nadia, já que, a partir dos anos 1940, o que marcou a Paulista foi o início da verticalização. Desse período são tombados, por exemplo, o edifício Anchieta e o Conjunto Nacional, de arquitetura modernista.

“É preciso manter a coerência. Não é porque é velho que tem que ser tombado, mas sim porque tem significado e ajuda a contar a história de um determinado período”, diz Nadia.

De acordo com ela, o tombamento da casa demolida domingo, dos anos 1960, “jamais foi cogitado”.

Antigo gueto de Varsóvia traz a casa mais estreita do mundo

O celebrado escritor israelense, Etgar Keret, revelou esta semana a Keret House, que vem sendo considerada a casa mais estreita do mundo. O local tem como objetivo abrigar informalmente artistas na região da capital polonesa onde ficava o gueto de Varsóvia durante o Holocausto.
Arquiteto: Jakub Szczesny

Fonte: UOL Notícias

Ekó House, parceria entre USP e UFSC, recebe prêmio na Espanha

A Ekó House, casa experimental autossuficiente energeticamente, recebeu a premiação de terceiro lugar na prova de Sustentabilidade da Solar Decathlon Europe 2012, que se encerrou no dia 30 de setembro, em Madri, num empate técnico com a equipe alemã da Aachen University com seu projeto Counter Entropy.

O destaque da proposta brasileira foi a ênfase na sustentabilidade humana, que introduz o uso de tecnologias avançadas enquanto enfatiza um novo modo de morar, que integra o homem ao seu ambiente natural local, enquanto promove seu desenvolvimento. A prova teve participação de um corpo jurados internacional altamente especializado, com nomes como Emilio Mitre, Manfred Hegger e Jason Twill.

Nascida de um processo de integração acadêmica de mais de quatro anos, a Ekó House envolveu estudantes de graduação e pós-graduação, e pesquisa nas diferentes áreas da arquitetura e urbanismo, engenharias, design, comunicação e marketing. A coordenação geral do projeto, na USP, é do professor Adnei Melges de Andrade, vice-reitor de Relações Internacionais.

O projeto final e construção foram desenvolvidos, nos últimos dois anos, numa parceria liderada pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e a USP, com apoio da Fundação para a Pesquisa em Arquitetura e Ambiente (Fupam), ligada à Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP.

Contou, também, com a colaboração da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC).

Fonte: USP – Notícias

USP e UFSC desenvolvem Ekó House, a casa sustentável

Apresentada no Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE) da USP, uma casa sustentável se abastece de energia solar, água da chuva e iluminação natural. É ela quem vai representar USP e Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) em uma competição internacional de inovações em energia e sustentabilidade.

O projeto da Ekó House, que inclui também um banheiro seco e aproveita os efluentes (esgotos) produzidos para adubação do jardim, está sendo desenvolvido por uma equipe de professores, alunos e pesquisadores de áreas que incluem arquitetura, design, engenharias, e até marketing. A meta é finalizá-lo até julho, a tempo de ser enviado ao Solar Decathlon, que acontece em setembro na Espanha.

Conheça a iniciativa na reportagem em vídeo a seguir:

Fonte: USP