Cidade chinesa constrói o maior edifício do mundo

Notícia do UOL

Chengdu

A ambiciosa metrópole de Chengdu, símbolo da prosperidade do sudoeste da China, em breve mostrará seu poderio com um edifício descomunal cuja construção avança rapidamente.

O “Global Centre”, um paralelepípedo de 100 metros de altura e 500 x 400 metros de largura, já é considerado por seus promotores como “o maior edifício do mundo”.

Sua fachada externa está quase finalizada e um exército de trabalhadores atua no interior para criar um espaço onde caberão o equivalente a 20 óperas de Sydney, segundo os vereadores de Chengdu, uma megalópole de 14 milhões de habitantes.

Este complexo monumental, construído pelo promotor local China Exhibition and Travel Group, incluirá uma praia artificial com tobogãs gigantescos à beira de um mar de água doce.

O “Global Centre” deve estar finalizado antes do fórum internacional da revista americana Fortune, previsto em Chengdu de 6 a 8 de junho de 2013. O edifício provavelmente será inaugurado pelo novo número um chinês, Xi Jinping, na presença dos diretores de multinacionais de todo o mundo.

Este edifício terá uma superfície total de 1,7 milhão de m2 – em Washington, o Pentágono tem 600 mil m2 – 400mil m2 dos quais serão destinados a lojas de artigos de luxo.

No imóvel haverá escritórios, salas de conferências, um complexo universitário, dois shoppings, dois hotéis cinco estrelas, um cinema Imax, uma “aldeia mediterrânea”, uma sala de patinação no gelo e um barco pirata.

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Pirataria chega à arquitetura na China

Notícia do Estadão.com.br

Pirataria chega à arquitetura na China

Cópia de um projeto da arquiteta Zaha Hadid está sendo construído no sul do país ao mesmo tempo em que o prédio original é erguido

KEVIN HOLDEN PLATT, DER SPIEGEL – O Estado de S.Paulo

Zaha Hadid, considerada uma das grandes estrelas da constelação da arquitetura de vanguarda, tornou-se também uma superestrela na China, onde seus projetos mais recentes irradiam desde as escolas e os estúdios de arquitetura de todo o país. Numa recente viagem a Pequim, 15 mil artistas, arquitetos e outros aficionados acorreram para ouvir a palestra que ela deu na inauguração do complexo futurista Galaxy Soho – apenas um dos 11 projetos que ela está realizando em toda a China.

Mas o apelo da arquitetura experimental da ganhadora do Prêmio Prtizker, principalmente desde a apresentação da sua brilhante e cristalina Ópera de Guangzhou, há dois anos, cresceu de uma maneira tão explosiva que atualmente, vários arquitetos e equipes de construção piratas estão construindo no sul da China uma cópia perfeita de uma das criações de Zaha em Pequim. O que é pior, Zaha disse numa entrevista, agora ela é obrigada a competir com esses piratas para concluir em primeiro lugar seu projeto original.

O projeto que está sendo pirateado é o Wangjing Soho, um complexo de três torres que se assemelham a velas infladas, esculpidas na pedra com faixas de alumínio em motivo de onda, que parecem mover-se levemente na superfície da Terra quando vistas de cima.

Zhang Xin, a incorporadora bilionária que dirige a Soho China e encomendou o complexo a Zaha, criticou violentamente os piratas durante a inauguração do Galaxy: “Enquanto construímos um dos projetos de Zaha, ele está sendo copiado em Chongqing”, uma megacidade perto do Tibete. A esta altura, acrescentou, os piratas de Chongqing estão construindo mais rapidamente do que a Soho. O projeto original deve ser concluído em 2014.

Falsificação. Zhang fez um apelo pedindo ajuda para combater esta maciça operação despudorada de falsificação e lamentou: “Todos dizem que a China é o grande país das imitações e que pode copiar qualquer coisa”.

A pirataria é extremamente difundida na China, onde iPods, iPhones e iPads falsificados são vendidos abertamente, e até lojas inteiras falsificadas da Apple proliferam em todas as cidades onde ocorre uma explosão econômica. Embora a China tenha, pelo menos no papel, uma série de leis que protegem a propriedade intelectual, a aplicação destas leis na prática é tremendamente esporádica.

Entretanto, You Yunting, um advogado de Xangai que fundou uma revista online sobre questões de propriedade intelectual, disse que a legislação sobre direitos autorais da China inclui a proteção de obras arquitetônicas. You disse ter estudado a falsificação do projeto de Zaha, e acrescentou: “As duas versões do complexo são muito semelhantes”.

“A Soho dever ter boas chances de vencer um litígio neste caso”, previu. “Mas, mesmo que o juiz dê uma sentença favorável à Soho, o tribunal não obrigará o réu a derrubar o edifício. Entretanto, poderá ordenar o pagamento de uma indenização.”

Zaha Hadid não é a primeira ocidental a ver sua obra arquitetônica imitada na China. No ano passado, cidadãos da aldeia austríaca de Hallstatt ficaram chocados ao descobrir que arquitetos chineses fotografaram suas casas e estavam construindo uma versão idêntica do local que foi decretado patrimônio mundial da humanidade pela Unesco no sul da China.

Hans-Jörg Kaiser, um representante austríaco do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios, que assessora a Unesco na preservação do patrimônio, disse que os habitantes de Halstatt estão muito revoltados pelo fato de as suas casas terem sido clonadas do outro lado do mundo.

Photoshop. Os arquitetos chineses envolvidos na réplica da cidadezinha austríaca, incrustada entre picos cobertos de neve e um lago localizado nas alturas, aparentemente construíram a falsificação de Halstatt usando um software de imagem para criar uma intricada montagem do local, e depois transformaram estas imagens em um modelo reduzido em 3D.

Os protestos do povo de Halstatt contra o mapeamento clandestino de suas casas agora se acalmaram, disse Kaiser, acrescentando que não encontrou nenhuma norma da Unesco que impedisse a reprodução do sítio do Patrimônio Mundial.

O arquiteto holandês Rem Koolhaas, que projetou a torre surreal da CCTV , da nova geração de Pequim, afirmou que a expansão super-rápida das cidades chinesas está produzindo arquitetos que usam laptops para copiar num piscar de olhos novos edifícios. No livro Mutations, Koolhaas chama esses arquitetos de projetistas de Photoshop: “O Photoshop permite fazer colagens de fotografias – e esta é a essência da produção arquitetônica e urbana da China … Hoje, o design se torna tão fácil quanto o Photoshop, até mesmo na escala de uma cidade”.

Satoshi Ohashi, diretor de projetos da Zaha Hadid Architects para o complexo Soho que está sendo clonado, disse: “É possível que os piratas de Chongqing tenham conseguido alguns arquivos digitais ou reproduções do projeto”. A partir destes, acrescentou, “é possível elaborar o projeto de um edifício desde que você seja tecnicamente muito capaz, mas ele seria apenas uma simulação grosseira da arquitetura”.

Um dos executivos da Soho identificou o incorporador acusado de piratear o projeto de Zaha do Chongqing Meiquan. Quando contatado por telefone, um funcionário do Chongqing Meiquan não quis comentar o caso.

Relâmpago. Zaha Hadid afirmou que encara com uma atitude filosófica a reprodução dos seus projetos: se as futuras gerações desses edifícios clonados apresentarem mutações inovadoras, “será um fato muito animador”.

Toda uma geração de arquitetos chineses do novo milênio acompanha e se inspira nos avanços arquitetônicos de Zaha, disse Ohashi, em Pequim.

Ele previu também o surgimento de uma nova categoria de arquitetos piratas com um interesse sofisticado nos principais edifícios experimentais do globo: “Se alguém gosta realmente de Zaha, provavelmente veremos outros projetos dela espalhados pela China”, afirmou.

E a possibilidade de produzir imagens, representações e até mesmo modelos em 3D de design arquitetônico em todo o globo à velocidade da luz por meio da internet ajudará não apenas as equipes de vanguarda de Pequim a Londres a se associarem em projetos conjuntos, mas também arquitetos piratas que pretendem construir arranha-céus ou mesmo cidades à velocidade de um relâmpago.

Será que algum dia aparecerá uma inteira metrópole chinesa povoada de versões mutantes de centros culturais de cristal criados por Zaha Hadid? Poderá a China assistir à proliferação de dez ou vinte clones arquitetônicos da Ópera de Guangzhou espalhados por suas principais megacidades? “Tenho a certeza”, disse Ohashi, “de que algum arquiteto há está trabalhando em outra versão da Ópera de Guangzhou”.

Lançamento do livro Chai-na, no Centro Universitário Maria Antonia

Lançamento do livro Chai-na, de Otília Arantes, dia 11/4/2012 (quarta-feira), 19 às 22 horas.

Debate com a presença de:
Otília Arantes,
Laymert Garcia dos Santos,
Luiz Recamán,
Ermínia Maricato

Centro Universitário Maria Antonia
Rua Maria Antonia, 294 – Vila Buarque – 11 31235201
(estacionamento conveniado Rua Maria Antonia, 176)

Partindo de antigas experiências de mundos sonhados que foram desmoronando ao longo de mais de um século de “ruínas do futuro”, o livro Chai-na (demolir-aí em mandarim), procura interpretar a Nova China, tanto quanto as fantasmagorias do nosso tempo, expressas nas suas formas urbanas extremas. O próprio título já anuncia que se trata de uma leitura pelo avesso da tão alardeada modernização chinesa. Segundo a autora, a máxima de Mao Tse Tung – “sem destruir não se constrói” – que servira de álibi para a desurbanização do país, ressuscitou, agora com sinal trocado: para a reconquista das antigas cidades e criação de novas. Tudo isso, numa espécie de avalanche de proporções ciclópicas, com a mesma violência das ocupações, desde sempre predatórias, de territórios alheios. Que grandes projetos ou mega-eventos, como Olimpíadas, sirvam de pretexto, não chega a ser uma novidade, não fosse a escala e a rapidez com que uma tal criação-destrutiva se processa, em sua fúria, por assim dizer, compulsiva. Trata-se portanto de um ensaio sobre a máquina chinesa de crescimento, cujo fundo falso revela os grandes fetiches urbanos atuais.

O livro será vendido com desconto especial de lançamento.