Mestrado de aluna da FAU é matéria da Agência Universitária de Notícias

Notícia da Agência Universitária de Notícias

Equívocos de planejamento causam dificuldades em assentamentos rurais

Estudos mostraram falhas presentes nos projetos dos lotes, bem como diferenças entre plano e construção em si

Por Dimítria de Faria Coutinho – dimitria.faria@gmail.com
Edição Ano: 48 – Número: 51 – Publicada em: 17/06/2015

Pesquisa recente realizada pela Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP) mostra que a realidade em assentamento rurais é bem diferente do que a prevista pelos projetos. Os estudos fazem parte da dissertação de mestrado da pesquisadora Marina Caraffa e utilizaram como alvo de observação o assentamento Zumbi dos Palmares, localizado na região de Iaras, em São Paulo.

Os problemas na construção de assentamentos rurais começa com a falta do Plano de Desenvolvimento do Assentamento, etapa preliminar ao  projeto, que, por sua vez, geralmente não leva em conta as questões urbanísticas, mas apenas as agrárias e econômicas. Uma das questões que mostra isso com clareza são as grandes distâncias  percorridas nos assentamentos. O tamanho da área ocupada, sua forma de parcelamento, a localização de cada casa no lote e a distância do assentamento em relação à cidade são fatores que deveriam ser considerados durante o projeto, mas não é isso que acontece.

Com o mau planejamento, tais distâncias acabam sendo maiores do que deveriam, trazendo  dificuldades de locomoção aos assentados. Sobre isso, Marina explica que as famílias, que na maioria das vezes não possuem carro, acabam percorrendo grandes distâncias a pé, já que o transporte público nessas regiões é outro grave problema. “No momento de fazer o projeto a escala do pedestre não é considerada, apelas levam em conta a questão da produção.”, diz a pesquisadora.

Além dos problemas com as distâncias, muitos outros equívocos podem ser encontrados nesses planejamentos. Um deles é fazer o projeto sem considerar as características físicas do terreno. Isso pode gerar situações de vulnerabilidade ambiental. Durante os estudos de campo, a própria pesquisadora passou por um momento difícil relacionado a isso : “nos dois dias [em que estive lá] choveu na parte da manhã, eu praticamente não consegui acessar a maioria dos lotes. As estradas ficam encharcadas e o solo fica argiloso, criando situações de atoleiros e alagadiços. Essa situação muitas vezes não ocorre só em função do tipo de solo, mas também porque o traçado não está favorável ao terreno. Em dias como esses os assentados ficam isolados. Na ocasião verificamos que o ônibus do transporte de escolares, devido às condições das estradas, estava quebrado.”.

E os problemas no planejamento não param por aí. Há falta de infraestrutura no que diz respeito a saneamento básico. Ademais, há precariedade nas estradas, falta de escolas, comércio e prestação de serviços. Nada disso é planejado previamente, fazendo com que as famílias assentadas fiquem numa situação precária ou de irregularidade, como se os assentamentos fossem uma grande favela rural.

Outra complicação se dá na própria estrutura da unidade habitacional. Muitas vezes a área da casa e o tamanho dos cômodos não são suficientes para atender o modo de vida. “A cozinha com previsão de fogão não considera as dificuldades de acesso à botijão de gás para abastecimento.”, exemplifica a pesquisadora.

Outra questão problemática está relacionada ao meio ambiente. Não há, no processo de criação do assentamento Zumbi dos Palmares, um levantamento que indique as massas de vegetação existente ou a topografia do terreno. A pesquisa observou, por imagens via satélite, que ao longo do tempo as áreas de reserva ambiental deram lugar a novos lotes prejudicando, assim, o meio ambiente.Ainda que haja leis sobre a questão ambiental, estas não são respeitadas devido ao caráter emergencial dos projetos.

Do projeto à construção

A construção das casas nos assentamentos também apresenta dificuldades. Isso acontece porque o que está previsto no  programa de provisão é muito diferente da realidade que pode ser colocada em prática.

Em primeiro lugar, o planejamento é feito para que as habitações sejam construídas a partir de mutirões. Mas o que se vê na aplicação, em alguns assentamentos paulistas, principalmente no Zumbi dos Palmares, são construções feitas de maneira quase que individuais. Essa situação é decorrente da falta de articulação entre as famílias, dificultada pela extensão das fazendas, entre outros problemas. A divisão das famílias para o mutirão de construção das casas é feita por ordem da chegada dos documentos, não levando em consideração a proximidade ou relação social entre os núcleos familiares, dificultando a união dos assentados para a formação de mutirões.

Outra problemática na construção das habitações é o atraso na entrega de materiais. Esse atraso decorre, mais uma vez, da falta de estrutura dos assentamentos, que apresentam grandes distâncias a serem percorridas por quem deseja acessá-los.

É importante ressaltar que as metas não cumpridas nas obras estão diretamente associadas às dificuldades de articulação social, somada a certa falta de interesse político e à burocracia dos processos. Quanto mais se demora no papel, mas a prática é prejudicada.

Como resolver a situação

Existem, porém, recomendações a serem seguidas para que tanto os projetos de assentamentos sejam mais bem pensados, refletindo melhorias para os moradores, quanto tais projetos sejam possíveis de serem praticados regularmente. Marina sugere o aumento da capacidade operacional do Incra, órgão que regulariza tais assentamentos para que os Planos de Desenvolvimento possam ser elaborados em conjunto com as famílias, resultando num desenho de ocupação mais favorável ao estabelecimento das mesmas. Outra sugestão seriam assistências técnicas multidisciplinares capazes de gerar processos mais participativos no desenho de habitat que se forma com a implantação do assentamento.

Em segundo lugar, a pesquisadora propõe mudanças que dizem respeito ao ambiente do local. “Faria recomendações, por exemplo, do uso de infraestrutura verde e agroecologia para organização do parcelamento, gerando um ambiente construído favorável à suas condições ambientais, favorecendo as dinâmicas do cotidiano das famílias assentadas.”.

É importante lembrar que a preservação do meio ambiente local pode ajudar no cotidiano das famílias assentadas. Um exemplo é o manejo dos eucaliptos – abundantes na região do Zumbi dos Palmares – nas estradas que circundam o assentamento gerando, assim, um sombreamento para os moradores que percorrem grandes distâncias a pé. Mesmo que determinada vegetação existente não seja favorável à produção agrícola – como é o caso do eucalipto – ela pode ser utilizada para outras funções, sem que isso acarrete o desmatamento.

Você pode acessar a cópia impressa da dissertação na biblioteca da FAUUSP da pós-graduação (FAU Maranhão) – localização: 043:72 C258p ou pode fazer download do PDF com a dissertação na íntegra, na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP.

50 mil teses online

Recebemos hoje esse comunicado do DT/SIBi:

 

Em breve, a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações – BDTD alcançará o significativo marco de 50.000 teses e dissertações online, disponíveis em http://www.teses.usp.br, comprovando o sucesso da iniciativa e consolidando o esforço conjunto da instituição em prol do acesso universal ao conhecimento.

 

Cabe destacar nesse processo a importância da participação das equipes do SIBiUSP e Escritório Regional do Departamento de Tecnologia da Informação de São Carlos para tornar a BDTD reconhecida e valorizada pela comunidade científica.

 

Mariza Leal de Meirelles Do Coutto
Respondendo pelo expediente do Departamento Técnico
Sistema Integrado de Bibliotecas

Parabéns a todas as equipes envolvidas nesse trabalho de divulgação da Produção Intelectual da USP!!!

Pesquisadora da FAU estuda problemas na autoconstrução de moradias

Bruna Romão / Agência USP de Notícias

Comum nas regiões periféricas, a autoconstrução é uma opção de famílias que desejam ter sua casa própria personalizada, sem enfrentar burocracias indesejadas ou dívidas de longo prazo. No entanto, a escolha por construir a própria casa sem o apoio técnico de engenheiros e arquitetos frequentemente é acompanhada pela falta de informação, o que pode acarretar em irregularidades e má qualidade da construção.

As conclusões são de uma pesquisa desenvolvida na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP, pela arquiteta Renata Davi, que estudou a prática da autoconstrução no município de Vargem Grande Paulista, na Região Metropolitana de São Paulo.

A dissertação de mestrado A permanência da autoconstrução: um estudo de sua prática no município de Vargem Grande Paulista, sob orientação da professora Maria Ruth Amaral de Sampaio, contou com entrevistas de dez famílias, com faixa de renda de até cinco salários mínimos, que realizaram suas edificações em loteamento regular entre 2000 e 2011, não importando o estágio de construção das casas.

“Alguns não sabiam e outros foram mal informados sobre as burocracias necessárias para regularização da construção”, relata a pesquisadora. Todavia, o desconhecimento e má informação sobre as possibilidades, além das burocracias oferecidas pelos órgãos governamentais, também encontra-se envolvido na escolha pela autoconstrução.

Assistência técnica pública e gratuita

Um exemplo é que, embora desde 2008 seja assegurada por lei federal a assistência técnica pública e gratuita, prestada pelos municípios às famílias de baixa renda para o projeto e construção de moradias, este direito é pouco conhecido entre os cidadãos. Além disso, “muitos não sabem a respeito dos programas de crédito para a construção da casa”, lembra a arquiteta.

Na maioria dos casos, os moradores disseram não ter pensado em outras alternativas para a casa própria, estando a autoconstrução sempre em seus planos. “Parece que há certa tradição das famílias em adotarem a autoconstrução”, comenta Renata. Ela também alerta: “A autoconstrução não é apenas uma preferência dos moradores, e sim uma solução precária, que resulta do contexto socioeconômico brasileiro, de concentração de renda e falta de alternativas no mercado formal de moradias.”

Sem projeto e apoio técnico adequados, o planejamento geral da obra é afetado, tanto nos aspectos financeiros quanto estruturais. “O plano ajuda a saber o que vai ser feito. Sem o projeto não é possível saber quanto será consumido e controlar estes gastos”, explica a pesquisadora. Entre os moradores entrevistados pela pesquisa, apenas um soube informar quanto foi gasto na construção.

Apesar do espaço generoso dedicado a alguns cômodos, algumas construções apresentam certos problemas depois de prontas. “Algumas não tem qualidade de ventilação e iluminação”, diz Renata. Ela conta que durante as entrevistas alguns moradores mostraram reconhecer estas falhas. Em geral as casas são construídas sem respeitar as normas oficiais para recuos e para dimensionamento de ambientes, iluminação e ventilação.

Características das construções

Além das dificuldades enfrentadas pelos moradores, a pesquisa também buscou identificar as principais características e materiais utilizados na autoconstrução, comparando os dados com uma pesquisa realizada nas décadas de 1960 e 1970 pelos pesquisadores Carlos Alberto Cerqueira Lemos e Maria Ruth Amaral de Sampaio, orientadora de Renata.

As técnicas de construção, em geral, permanecem as mesmas. “É o mesmo sistema de construção, mas os materiais evoluíram. A evolução da industrialização deixou os materiais mais baratos”, relata a pesquisadora. Um exemplo é a substituição dos antigos pisos de tacos de madeira ou cimento queimado pelo revestimento cerâmico.

Quanto à estrutura das casas, destaca-se a cozinha grande e sua relação com o quintal como duas das principais características mantidas ao longo dos anos. Por outro lado, o tamanho dos terrenos onde são construídas as casas mais recentes é consideravelmente menor do que há 50 anos. “Naquela época, as cidades tinham muito mais terrenos e a periferia correspondia a bairros que hoje em dia não são mais considerados periféricos”, explica Renata. Assim, a construção de casas térreas com grandes quintais, comum nos anos 1960 e 1970, deu lugar a sobrados com quintais mais modestos.

Há, ainda, outros tipos de projeto que deixaram de existir, como casas com mais de uma cozinha, sem sala ou com o banheiro no quintal. Por sua vez, a pesquisadora encontrou tanto construções com suítes, copa e até mesmo pequenos escritórios.

Mais informações: email renatadavi@gmail.com

Fonte: Agência USP

Defesas de dissertações e teses – maio de 2011

Local: FAU-Maranhão
Rua Maranhão, 88 – Higienópolis – SP

**** Sujeito a alterações ****

DOUTORADO:
Título: “ESQUADRIAS DE ALUMÍNIO: ANÁLISE DOS CRITÉRIOS DE ESCOLHA DESTES COMPONENTES EM EDIFÍCIOS DE APARTAMENTOS, PADRÃO MÉDIO-ALTO, NA CIDADE DE SÃO PAULO”
Aluno (a): MAGDA NETTO DOS REIS
Data : 23/05/11     Horário: 14h 30min
Banca:
Prof.(a) Dr.(a) – João Roberto L. Simões – Orientador (a)
Prof.(a) Dr.(a) – Claudia T. A. Oliveira – AUT/FAUUSP
Prof.(a) Dr.(a) – Marcelo A. Romero – AUT/FAUUSP
Prof.(a) Dr.(a) – Jane A. Marques – EACH/USP
Prof.(a) Dr.(a) – José Afonso Mazzon – FEA/USP

DOUTORADO:
Título: “A MODERNIDADE EM HANS BROOS”
Aluno (a): KARINE DAUFENBACH
Data : 18/05/11     Horário: 14h
Banca:
Prof.(a) Dr.(a) – Paulo J. V. Bruna – Orientador (a)
Prof.(a) Dr.(a) – Monica J. Camargo – AUH/FAUUSP
Prof.(a) Dr.(a) – Carlos Augusto M. Faggin – AUH/FAUUSP
Prof.(a) Dr.(a) – Laís Bronstein Pássaro – UFRJ
Prof.(a) Dr.(a) – Abílio da Silva Guerra Neto – Un. Mackenzie

MESTRADO:
Título: “LINA BO BARDI (EXPERIÊNCIAS): ENTRE ARQUITETURA, ARTES PLÁSTICAS E TEATRO”
Aluno (a): CAROLINA LEONELLI
Data : 20/05/11     Horário: 10h
Banca:
Prof.(a) Dr.(a) – Luciano Migliaccio – Orientador (a)
Prof.(a) Dr.(a) – Silvio M. Dworecki – AUP/FAUUSP
Prof.(a) Dr.(a) – Silvana Barbosa Rubino – UNICAMP

MESTRADO:
Título: “OS MEANDROS DA PRODUÇÃO PÚBLICA NA CONSTRUÇÃO DA PAISAGEM PERIFÉRICA PAULISTANA: O CASO DOS EQUIPAMENTOS EDUCACIONAIS”
Aluno (a): ANA CAROLINA LOUBACK LOPES
Data : 18/05/11     Horário: 10h
Banca:
Prof.(a) Dr.(a) – Yvonne M.M. Mautner – Orientador (a)
Prof.(a) Dr.(a) – Reginaldo L. N. Ronconi – AUT/FAUUSP
Prof.(a) Dr.(a) – Nidia Nacib Pontuschka – Fac. Educ.

Título: “EDUARDO KNEESE DE MELLO: DO ECLÉTICO AO MODERNO”
Aluno (a): ALINE NASSARALA REGINO
Data : 27/05/11     Horário: 8h 30min
Banca:
Prof.(a) Dr.(a) – Rafael A. C. Perrone – Orientador (a)
Prof.(a) Dr.(a) – Luis A. Jorge – AUP/FAUUSP
Prof.(a) Dr.(a) – José Geraldo Simões Jr. – Un. Mackenzie
Prof.(a) Dr.(a) – Julio Roberto Katinsky – AUH/FAUUSP
Prof.(a) Dr.(a) – Fernando Atique – UNIFESP

MESTRADO:
Título: “ROBERTO TIBAU E O FAZER ARQUITETURA”
Aluno (a): ROBERTO SELMER JÚNIOR
Data : 20/05/11     Horário: 9h 30min
Banca:
Prof.(a) Dr.(a) – Helena A. Ayoub Silva – Orientador (a)
Prof.(a) Dr.(a) – Julio Roberto Katinsky – AUH/FAUUSP
Prof.(a) Dr.(a) –Otávio Y. Shimba – UEL

Defesas de teses e dissertações

Datas e horários sujeitos a alterações.

 

Defesa de Dissertação

RENAN CID VARELA LEITE
Orientadora Profa. Dra. Anésia Barros Frota – Área Tecnologia da Arq.
Título: Fortaleza, terra do vento: a influência da mudança nos padrões de ocupação do solo sobre a ventilação natural em cidade de clima tropical úmido
Dia: 03.12.10 – 9:30 –  R. Maranhão, 88.

ALEXANDRE HEPNER
Orientador Prof. Dr. Silvio Soares Macedo – Área Paisagem e Ambiente
Título: Desenho urbano, capital e ideologia em São Paulo: centralidade e forma urbana na Marginal do Rio Pinheiros
Dia: 26.11.10 – 9 h –  R. Maranhão, 88.

 

Defesa de Tese

Emerson José Vidigal
Orientador Prof. Dr. Marlene Yurgel – Área Projeto de Arq.
Título:  Ensino de projeto arquitetônico: um estudo sobre as práticas didáticas no curso de arquitetura e urbanismo da Universidade do Paraná?
Dia: 14.12.10 – 14 h – R. Maranhão, 88

Biblioteca Digital de Teses da USP

 

Você conhece a Biblioteca Digital de Teses USP?

 

Ela oferece os textos completos de parte do acervo de dissertações e teses defendidas na USP, em PDF.

 

Acesse:  http://www.teses.usp.br

 

A FAU tem cerca de 200 títulos na Biblioteca Digital de Teses!

 

Dissertações e teses também podem ser acessados pelo banco de dados Dedalus no endereço:

http://143.107.73.17/F/