Três novos prédios, três concepções inovadoras

USP Destaques nº 80 – 06/09/13

A paisagem da Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira”, em São Paulo, ganhará novos contornos. Está prevista a construção de três novos prédios, com projetos de autoria de renomados arquitetos brasileiros

A nova infraestrutura permitirá abrigar, à altura de uma universidade do porte da USP, órgãos importantes e de grande visibilidade e atualidade, além de coroar o ciclo recente de revitalização da estrutura física do campus, que inclui a restauração do prédio da Antiga Reitoria, com a construção das novas dependências do Conselho Universitário; o novo sistema de iluminação; a construção do Centro de Difusão Internacional e do Centro de Convenções, entre outras ações.

O Museu de Arte Contemporânea (MAC), o Instituto de Estudos Avançados (IEA) e o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) terão nova sede, constituída por um edifício localizado na chamada Praça do Pôr do Sol, na Avenida Lineu Prestes, que estará integrado à Praça dos Museus.

A Praça dos Museus, projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, prevê a construção das novas sedes do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) e do Museu de Zoologia (MZ), em área contígua à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, com frente para a av. Corifeu de Azevedo Marques. A área total construída será de 53 mil metros quadrados. O local contará ainda com um saguão único para os museus, restaurante, café e belvedere. A previsão é de que as obras estejam concluídas até setembro do próximo ano.

O novo prédio do MAC, IEA e NEV, que também foi projetado por Rocha, terá área construída de 21 mil metros quadrados. A concepção do projeto preserva o caráter de espaço de lazer, recreação e de acesso público do local.

Será composto por praça associada a uma torre. A torre terá 12 pisos, com pés-direitos, plantas e estruturas diferenciados nos andares para atender às diferentes demandas de uso, como, por exemplo, instalação de reservas técnicas, acervos de bibliotecas e escritórios administrativos. A verticalização com liberdade de arranjos na construção permitirá uma melhor utilização da área ocupada.

No térreo, será instalado um grande salão para exposições do MAC, auditório, oficinas para atividades didáticas, entre outros espaços. No último andar, um terraço, com jardim e cafeteria, servirá como ponto de encontro e confraternização para funcionários, docentes e visitantes.

Prédio ambientalmente sustentável

O Centro de Estudos de Clima e Ambientes Sustentáveis (Cecas) será a primeira edificação ambientalmente sustentável da Cidade Universitária. O projeto nasceu da parceria entre o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e integrará o Laboratório de Modelos de Sustentabilidade do Departamento de Tecnologia da Arquitetura da FAU e o Centro de Ciências da Terra e do Ambiente do IAG.

Trata-se de um edifício-modelo, concebido pelos arquitetos Eduardo de Jesus Rodrigues e Marcelo Andrade Romero e detalhamento arquitetônico do escritório de Paulo Bruna. Conta com três blocos funcionais e quatro pavimentos de escritórios e laboratórios, planejados para gerar toda a energia elétrica a ser consumida na etapa de uso e operação por meio da instalação de tecnologias solares.

No projeto, foram considerados três pressupostos básicos: a maximização da relação arquitetura versus clima, como forma de reduzir os futuros consumos energéticos (tecnologias solares passivas); a utilização das tecnologias ativas com baixo consumo de energia e a implantação de iniciativas de sustentabilidade e reduzido impacto ambiental durante as etapas de construção, uso e operação do edifício.

No novo prédio, localizado na confluência da Rua do Matão com a travessa V, estão previstos, entre outros aspectos, o controle da radiação solar por meio de protetores solares externos automatizados; a otimização da Iluminação natural e prateleiras de luz; ventilação natural com controle automatizado; resfriamento do ar pelo solo; geração de energia elétrica por meio do efeito fotovoltaico; automação e gerenciamento da energia com painel demonstrativo; captação de água de chuva para reaproveitamento em bacias sanitárias e irrigação de jardim; coletores solares planos para aquecimento de água em chuveiros e lavatórios; além da utilização de materiais de construção com conteúdo reciclado.

Inovação

O edifício do Laboratório de Inovação e Empreendedorismo, com projeto do arquiteto Ruy Ohtake, será construído na Escola Politécnica. A iniciativa conta com o apoio da Fundação para o Desenvolvimento da Engenharia, que destinou recursos para a contratação do projeto arquitetônico e executivo do novo prédio. Este será o primeiro laboratório do gênero no país, com nove mil metros quadrados de área construída, quatro pavimentos e projetado para abrigar o desenvolvimento simultâneo de até 30 projetos de grande porte.

A entrada do edifício será constituída por um espaço de exposição voltado para apresentar e discutir os projetos e protótipos dos alunos. O local vai abranger também trabalhos de outras áreas, como comunicação, design, vídeo e cinema. O espaço será organizado por dois paineis de vidro, em dois tons de azul semitransparente e, fixadas nesses vidros, células hemisféricas fotovoltaicas envoltas em semiesferas de acrílico vão gerar energia para uso do prédio. Com cobertura também em vidro, o espaço terá pé-direito de 12 metros.

O edifício estará localizado à Avenida Prof. Luciano Gualberto, travessa 3. Os três prédios estão em fase de elaboração de projeto executivo. Após essa etapa, será possível estabelecer o montante de investimentos a ser feito, dar início aos processos de licitação e elaborar o cronograma para as obras.

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I Simpósio Internacional de Pesquisa em Museologia

SinPEM2

Acontece de 2 a 5 de setembro o I Simpósio Internacional de Pesquisa em Museologia. Concebido e organizado pelo Programa de Pós-Graduação Interunidades em Museologia da Universidade de São Paulo (PPGMus/USP), o Simpósio busca divulgar a produção acadêmica deste campo e estabelecer diferentes níveis de interlocução com as políticas públicas voltadas à proposição e ao gerenciamento de museus e com a formação profissional. Leia mais…

O Fórum Permanente: museus de arte; entre o público e o privado fará a cobertura crítica do evento, com a produção de relatos, além de disponibilizar os registros em vídeo das palestras, mesas de discussões e trabalhos apresentados no Simpósio.

Acesse a programação completa do Simpósio.

O Programa de Pós-Graduação Interunidades em Museologia da Universidade de São Paulo (PPGMUS/USP), que reúne os docentes dos Museus da Universidade – Museu de Arqueologia e Etnologia/MAE, Museu de Arte Contemporânea/MAC, Museu Paulista/MP e Museu de Zoologia/MZ, contemplou em seu Plano de Gestão Acadêmica a realização bianual de evento científico com o propósito de reunir estudantes, professores e profissionais de Museologia e áreas afins, em torno de discussões referentes à problematização de temas que têm consolidado o campo museal e estabelecido a sua interlocução com outros cenários acadêmicos.

Fonte: Fórum Permanente: museus de arte; entre o público e o privado

USP vai construir dois museus e área para exposições

Notícia da Folha de S. Paulo, de 30 de abril de 2011:

USP vai construir dois museus e área para exposições

Acervos de museus de Zoologia e de Arqueologia serão transferidos para novo espaço na Cidade Universitária

Complexo, idealizado nos anos 1990, só saiu do papel por conta de ordem judicial; custo será de R$ 100 milhões

EDUARDO GERAQUE
DE SÃO PAULO

Até 2013, a USP (Universidade de São Paulo) deve inaugurar, finalmente, sua praça dos museus. Idealizado nos anos 1990, o projeto só ficou pronto agora.
O complexo envolve uma passarela suspensa unindo três grandes prédios, num canto da Cidade Universitária, no Butantã (zona oeste).
Os edifícios abrigarão o Museu de Zoologia (atualmente no Ipiranga), o MAE (Museu de Arqueologia e Etnologia) e um espaço para exposições de ciência. O custo estimado, diz a USP, é de R$ 100 milhões. A data da inauguração coincide com o último ano do mandato do reitor João Grandino Rodas.
Um dos edifícios será recheado com o acervo do atual Museu de Zoologia da USP, que deixará o prédio histórico no bairro do Ipiranga. E abrirá espaço, assim, para que o Museu Paulista, mais conhecido como Museu do Ipiranga, possa estender seus tentáculos.
“A mudança é totalmente positiva. Vamos ter o dobro do espaço que temos aqui hoje”, diz o professor Hussam Zaher, diretor da instituição.
O novo prédio terá por volta de 14 mil m2 de área.
No prédio que o museu ocupa hoje, existem por volta de 8 milhões de peças no acervo. Porém, só 2.000 podem ser expostas ao mesmo tempo, por causa espaço disponível nas salas e corredores para as exposições.
Um outro prédio do complexo será ocupado pelo MAE, que já funciona na USP, mas em um espaço mais acanhado. O tamanho da edificação do MAE será praticamente o mesmo destinado ao Museu de Zoologia.
A execução do antigo projeto da Praça de Museus será possível por causa de uma decisão judicial, diz Antonio Massola, diretor da Fusp (Fundação de Apoio à Universidade de São Paulo).

COMPENSAÇÃO
O imbróglio começou quando empresas imobiliárias destruíram parte de um sítio arqueológico que havia no bairro do Itaim (zona sul).
Na Justiça, elas foram condenadas, como compensação, a construir um museu sobre arqueologia, diz Massola. Como já havia um projeto pronto, a obra acabou sendo desengavetada pela USP.
Talvez a universidade tenha que pagar parte dos custos, afirma Massola.
O terceiro prédio do complexo, terá uma entrada independente da USP e, por isso, funcionará normalmente aos finais de semana, será usado principalmente para exposições de ciência.
A obra, quando concretizada, será o primeiro grande projeto assinado pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, professor da FAU/USP, dentro da Cidade Universitária.
A ideia original previa a ida do MAC (Museu de Arte Contemporânea) para o mesmo espaço. “Mas eles preferiram não deixar a região do Ibirapuera”, diz Massola.