Palestra “Arte integrada à Arquitetura: O diálogo entre Marianne Peretti e Oscar Niemeyer”, na FAUUSP

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Palestra Marianne Peretti

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Primeira mostra póstuma de Niemeyer contrapõe criações clássicas a inéditas

Notícia da Folha de S. Paulo

SILAS MARTÍ
DE SÃO PAULO

Numa sala toda branca, do chão ao teto, estão maquetes no mesmo tom de obras de Oscar Niemeyer, da Pampulha à Catedral de Brasília. Elas parecem surgir do nada, quase camufladas no branco, como se mais potentes como ideias do que como prédios.

De certa forma, a primeira grande mostra póstuma dedicada ao arquiteto, morto aos 104 em dezembro de 2012, transforma agora o Itaú Cultural, em São Paulo, numa espécie de laboratório de ideias.

Nesse ambiente, suas construções se tornam um pouco mais assombrosas do que quando vistas na paisagem real. Perdem o peso do concreto para exaltar a leveza dos traços do arquiteto —que fazia questão de manter certa austeridade nos desenhos, com poucas linhas.

Logo na primeira sala, está um rolo de 12 metros de papel com desenhos que Niemeyer fez diante da câmera para um documentário. Ele revisitava a própria obra enquanto ia descrevendo cada um daqueles projetos.

Do lado oposto da sala, estão mais 20 desenhos que formam uma espécie de resumo de sua obra, de projetos construídos, como a sede do Partido Comunista Francês, em Paris, e o Museu de Arte Contemporânea de Niterói, a outros nunca executados, como um museu em Caracas.

“É uma história da arquitetura contada por ele, uma espécie de testamento”, diz Lauro Cavalcanti, curador da mostra. “Isso é tudo aquilo que ele achava que deveria ser lembrado na obra dele. É o Oscar visto por ele mesmo.”

E, nessa visão, a obra construída tem a mesma relevância de projetos que nunca saíram do papel. Daí a força da mostra, que põe em paralelo a obra já realizada e aquilo que poderia ter sido e não foi, reunindo um poderoso acervo de projetos inéditos.

Entre eles, estão o desenho de uma casa circular que ele projetou para ser seu endereço de veraneio e nunca construiu, a sede da Companhia Energética de São Paulo, que une dois terrenos distintos por meio de uma passarela, um projeto para uma casa de concertos no Rio e uma das 12 versões do Auditório Ibirapuera.

Mas também chamam a atenção seus momentos de devaneio, que dão pistas sobre os rumos que sua arquitetura pioneira poderia ter tomado num futuro distante.

UNIVERSO SCI-FI

Num exercício digno de ficção científica, Niemeyer fez nos anos 1960 uma série de desenhos imaginando um mundo novo em que árvores cresceriam em ritmo ultraveloz, cápsulas antigravidade substituiriam os elevadores nos prédios e todo o conhecimento seria transmitido por eletrodos colados à cabeça.

Brasília, antes de construída, talvez tivesse o mesmo ar de ficção científica nos planos do arquiteto, mas passou a ser realidade concreta.

“É interessante ver aquilo já consagrado à luz das experimentações”, diz Pedro Mendes da Rocha, arquiteto da mostra. “Seu trabalho está sendo redescoberto em suas minúcias e pela sua riqueza.”

Na mesma veia futurista de Brasília e de seu universo sci-fi, Niemeyer também desenhou uma cidade revolucionária para o deserto do Neguev, em Israel, que acabou nunca saindo do papel.

Era uma enorme esplanada, no estilo da capital federal, com a diferença de que os carros circulariam por vias subterrâneas, deixando o nível da rua para pedestres. Nenhuma distância seria maior do que 500 metros e todas as casas dariam para jardins.

Outro projeto nunca construído e que também pode ser visto na mostra, de um centro comercial na Argélia, antecipa a criação das ilhas artificiais que se multiplicaram depois pelo Oriente Médio.

Dos mais ousados planos urbanos a prédios isolados que se tornaram ícones da arquitetura mundial, Niemeyer foi se revelando ao longo da vida um mestre da criação de espaços que arrebatam pela crueza e pela simplicidade.

“Existe a genialidade de prédios com volumetria exuberante soltos na paisagem, mas há ao mesmo tempo joias incrustadas no tecido urbano”, avalia Mendes da Rocha.

OSCAR NIEMEYER
QUANDO a partir de quarta-feira (04/06/2014), às 20h; de ter. a sex., das 9h às 20h; sáb. e dom., das 11h às 20h; até 27/7
ONDE Itaú Cultural, av. Paulista, 149, tel. (11) 2168-1776
QUANTO grátis

Inauguração do Copan

copan

“Um monumento à grandeza da terra paulista. O Rockfeller Center de São Paulo”, dizia o anúncio de lançamento do prédio projetado por Oscar Niemeyer, em 25 de maio de 1952 (14 anos antes da inauguração, em 25 de maio de 1966).

Fonte: Estadão

“Niemeyer foi a melhor e a pior coisa para a arquitetura brasileira”, diz crítico na Flip

Noticia da Folha de S. Paulo

O crítico de arquitetura americano Paul Goldberger, vencedor do prêmio Pulitzer, e o arquiteto português Eduardo Souto de Moura, vencedor do Pritzker, principal prêmio mundial de arquitetura, fizeram nesta quinta (4) a segunda mesa do dia na Flip 2013, intitulada “As Medidas da História”.

Quase no fim de sua palestra, quando provocado pela plateia, Souto de Moura se derramou em elogios a Paulo Mendes da Rocha.

“Ele está na flor da idade de sua produção. Assumo que já o copiei, até”, disse rindo. “O que me interessa nele é a maneira como ele vê o mundo, eticamente, politicamente. Ele é um monolito”.

Sobre Oscar Niemeyer, morto no ano passado, aos 104 anos, o português não se declarou tão simpático. “Niemeyer foi brilhante ao mostrar que certas obras são possíveis, mas nem sempre funcionais.”

“A sombra de Niemeyer é tão grande que até pouco tempo atrás as pessoas nem sequer conheciam fora do Brasil a Lina Bo Bardi, que de fato foi uma das maiores arquitetas do século 20”, emendou Goldberger, que disse ainda que o brasileiro foi a melhor (por ter projetado a arquitetura brasileira no cenário internacional) e a pior (por ter limitado a repercussão das gerações seguintes) coisa que aconteceu à arquitetura local.

Os dois concordaram que as primeiras obras de Niemeyer é que os apetece. “Não acho que a obra do Niemeyer tenha a profundidade dos trabalhos de Mendes da Rocha. Acho que depois de certo tempo ele passou a acreditar na própria lenda, se copiar, fazer uma paródia mais simplista de si mesmo. Os museus que ele projetou são até ridículos, embora divertidos”, encerrou o americano.

PROCESSO E RESULTADO

Antes disso, a discussão se guiou pela importância do processo de construção de obras arquitetônicas, algo sobre o qual Goldberger disse que importa menos para o crítico.

“O objeto final é o que vai importar de fato, porque não faz sentido voltar atrás, mas, sim, pensar o objeto como para o futuro, o modo como as pessoas vão se relacionar com aquela obra.”

Nas palavras de Souto de Moura, esse mesmo processo é, sobretudo, a administração do pânico e da dúvida. “Um arquiteto é um esquizoide, na medida em que precisa adequar a intenção do cliente, a dele próprio e sem perder a noção de realidade”.

“Um arquiteto precisa ser um psicanalista, um psiquiatra, porque se a obra deu certo, é porque ele conseguiu entrar na alma, na psiquê do cliente. Ao mesmo tempo em que precisa seguir o seu programa, a sua formação e o seu estilo”, concordou Paul Goldberger.

Bem-humorado, Souto de Moura deu um exemplo pessoal: “Há tempos construí uma casa para uma amiga, também arquiteta, que não conseguia projetar a própria moradia. Tempos depois ela me vendeu a casa e hoje eu moro numa casa que projetei para outra pessoa. Então todos os dias eu abro a janela e acho que há algo errado com ela, com o tamanho dela, com a casa toda”, divertindo a plateia.

Sobre o papel da crítica, o português sentenciou que a arquitetura não pode ser adjetivada nem a crítica pode ser pessoal. “O adjetivo reduz a arquitetura. Adjetivos como ‘sustentável’ ou ‘ecológica’ não explicam e muito menos dão a proporção de uma obra em relação à história.”

Souto de Moura e Goldberger debateram a relação entre obras consideradas históricas e a sua pouca funcionalidade. “Grandes casas chamadas modernas, que sao mostradas como resumos de uma época da arquitetura, estão vazias, as pessoas deixaram-nas para trás, não conseguiram viver muito tempo nelas”, disse o português.

Discordando dele, o americano declarou que a arquitetura tem o desafio de ser também arte e encontrar o equilíbrio entre esses pontos é um grande desafio.

“Não deve ser fácil morar em uma obra de arte, como não deve ser fácil ouvir a mesma sinfonia a vida inteira sem que ela chegue a um ponto de incômodo. Então acho que é permitido que algumas obras arquitetônicas estejam postas como obras de arte.”

“Brasil precisa olhar além de Niemeyer”

Notícia da Folha de S. Paulo

“Brasil precisa olhar além de Niemeyer”

Paul Goldberger, um dos mais populares críticos de arquitetura, ataca Brasília e defende novos nomes do país

Para estudioso, legado de arquiteto morto no ano passado é enorme, mas seu nome foi uma sombra para outros

RAUL JUSTE LORES
DE NOVA YORK

Chegou a hora de o mundo “descobrir” a nova arquitetura brasileira e, com tantas obras e grandes eventos a caminho, também de o Brasil olhar para mais arquitetos além-Niemeyer.

A opinião é do crítico de arquitetura mais popular dos EUA, Paul Goldberger, 62.

Professor de design e arquitetura da New School de Nova York, Goldberger foi, por 25 anos, o crítico de arquitetura do “New York Times”, no qual ganhou o prêmio Pulitzer por seus textos. De 1997 a 2011, exerceu a mesma função na revista “New Yorker” e, desde o ano passado, é colunista da “Vanity Fair”.

Na entrevista abaixo, ele fala que o plano piloto de Brasília é um “fracasso”, diz que o tempo suaviza a relação que temos com a arquitetura, que os modernistas, como Oscar Niemeyer, eram “arrogantes, mas tinham preocupação social” e que hoje muitos só pensam na estética.

SOMBRA

A sombra de Niemeyer era tão grande que impediu o mundo de ver quantos bons arquitetos existiam no Brasil. Não era fácil ser um arquiteto brasileiro se o seu nome não fosse Niemeyer. Ele era muito identificado com o país.

É triste que Niemeyer tenha ido. Mas, diante dessa perda, sem querer soar desrespeitoso, agora o mundo vai poder começar a observar outros arquitetos. Isay Weinfeld, Marcio Kogan, muito talentosos.

Mesmo o prêmio Pritzker não tirou Paulo Mendes da Rocha da sombra de Niemeyer.

NOVA ARQUITETURA

Nos próximos anos saberemos como anda a arquitetura brasileira. A posição do país mudou nos últimos anos, há muita construção acontecendo e, com a partida de Niemeyer, os arquitetos terão mais possibilidades de construir e de que o mundo preste atenção.

Eu vi muito trabalho recente de qualidade no Brasil, mas a maioria era residencial. Casas maravilhosas.

FRACASSO DE BRASÍLIA

Sou mais inclinado em separar o planejamento urbano de Lucio Costa, que é um grande fracasso, dos prédios de Niemeyer, que têm bastante apelo, têm um poder icônico. Quando finalmente os visitei, foi incrível, aquelas formas são incríveis. Nem tudo estava bem cuidado. Todo prédio de qualidade precisa de manutenção. Depois de 50, 60 anos, precisam de cuidados, igual a um ser humano. Alguns prédios eram lindos, outros horríveis.

CADÊ A RUA?

Se há alguma coisa que aprendi na minha carreira é que a coisa mais importante ao se construir uma cidade é fazer boas ruas. Brasília tem alguns bons prédios, mas não tem boas ruas. Você não tem uma cidade atraente.

Tem bons prédios de Niemeyer, mas que juntos não formam uma grande cidade.

Parece um campus governamental, não uma cidade. Como um campus universitário no subúrbio.

Mas é fascinante ver a experiência mais próxima da “ville radieuse” de Le Corbusier a ser realmente construída -e perceber quão terrível seria se essa visão corbuseriana tivesse sido implementada pelo mundo.

ARROGÂNCIA SOCIAL

Os arquitetos modernistas se sentiam políticos e até achavam fazer reengenharia social com suas obras.

Isso pode ser lido de duas formas. Como arrogância, pois eles achavam que sabiam o que era melhor para todo o mundo e que não precisavam ouvir outras pessoas. Nos anos 1950 e 1960, ainda era assim. Arquitetos poderiam ditar como as pessoas deveriam viver.

Mas há outro lado. Havia a convicção de que a arquitetura tinha um papel e uma responsabilidade social. Depois disso, muitos arquitetos começaram a ver a sua missão como apenas estética. Apenas fazer arte bonita.

CONTEXTO E CLIENTE

O problema de muitos modernistas era exercitar a preocupação social ditando regras, em vez de escutar mais. Arquitetos modernos aprenderam muito sobre os fracassos anteriores. Hoje eles são mais sensíveis ao urbanismo, à importância do contexto, a ouvir os seus clientes.

TEMPO SUAVIZA

Alguns dos prédios de Niemeyer não eram mesmo funcionais. É sempre melhor ver o que um arquiteto faz, não o que diz. Apesar do que dizia, muitos de seus prédios eram talvez obcecados demais com a forma às custas da função. Eram desenhados como objetos abstratos, como se a beleza sozinha fosse suficiente.

Pegamos mais leve hoje com seus prédios do que no passado em parte pelo efeito que o tempo tem sobre a arquitetura -suaviza as críticas, somos menos duros, nos acostumamos a tudo e criamos até nostalgia, sentimentalismo.

SINATRA BRASILEIRO

É fascinante ver uma nação em luto pela morte de Niemeyer. Nos EUA, a morte de nenhum arquiteto produziria essa pausa para se pensar em arquitetura. Parece que todo o Brasil sentiu a perda. Nos EUA, tivemos isso com [Frank] Sinatra. Dos especialistas à gente comum. Niemeyer foi muito além do mundo da arquitetura. Tomara que esse interesse sobreviva a ele.

Oscar Niemeyer será homenageado em edição especial da revista ‘Wallpaper’

Notícia da Folha de S. Paulo

Oscar Niemeyer será homenageado em edição especial da revista ‘Wallpaper’

A revista inglesa “Wallpaper” prepara uma edição especial em homenagem ao arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, morto no último dia 5, aos 104 anos. A publicação sairá em fevereiro, juntamente com a edição de premiação do Design Awards 2013.

O especial, intitulado “Oscar”, abordará a vida e a obra do arquiteto. Essa é a primeira edição especial que a “Wallpaper” desenvolve.

Conhecida internacionalmente como uma referência para apreciadores de artes, design, cultura, moda, lifestyle e arquitetura, o periódico londrino Londres, prestará uma homenagem ao arquiteto exibindo um acervo exclusivo do fotógrafo Todd Eberle –colaborador da revista “Vanity Fair” e famoso por retratar obras arquitetônicas ao redor do mundo.

Tributo a Niemeyer

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convite_niemeyer

Data: 13/12/2012, quinta-feira
Horário: 11h
Local: Memorial da América Latina
Endereço: Av. Auro Soares de Moura Andrade, 664, Barra Funda
Estacionamento POrtão 15 / Pedrestre Portão 13