Dobram licenças para prédios de uso misto em São Paulo

Notícia da Época Negócios

Foram liberados 120 edifícios que mesclam moradia, comércios e escritórios entre julho do ano passado e junho deste ano

Na contramão da retração do setor imobiliário da capital paulista, fruto das incertezas da economia, a emissão de licenças para prédios de uso misto mais do que dobrou na cidade de São Paulo após a aprovação do novo Plano Diretor Estratégico 18(PDE), há um ano. Foram liberados 120 edifícios que mesclam moradia, comércios e escritórios entre julho do ano passado e junho deste ano, ante 55 empreendimentos entre julho de 2013 e junho de 2014. É um aumento de 118%. Os dados foram obtidos pela Lei de Acesso à Informação.

O número chama mais a atenção se comparado aos dados do setor como um todo. Nos últimos 12 meses, caiu 25% o número de pedidos de autorização para novos empreendimentos na Prefeitura. A queda é de 9.283 pedidos – entre julho de 2013 e junho do ano passado – para 6.900 entre julho de 2015 e junho deste ano, segundo a Secretaria de Licenciamentos.

Os projetos aprovados foram concebidos seguindo as regras do Plano Diretor antigo, que ainda não previam incentivos a esse tipo de empreendimento que agora existem – como, por exemplo, a elevação por quatro do potencial construtivo dos terrenos que abrigam as obras. Mas, no entender do Sindicato da Habitação (Secovi), já indicam uma disposição do mercado de investir em obras com essas características. “Esses projetos que estão sendo aprovados agora são certamente daqueles que adquiriram os terrenos em 2014, deram entrada com o projeto ainda no ano passado, e estavam aguardando a aprovação”, diz Ricardo Yazbek, vice-presidente da entidade.

Esse crescimento é visto com bons olhos pelo setor. “É muito salutar o que vem acontecendo. O fato de a gente ter lojas no térreo, conversando com a calçada, com as pessoas transitando ali, isso é bom. É bom para a cidade, é bom para o comércio, para os serviços, que são o que normalmente fica no pavimento térreo de edifícios, a exemplo do que temos em alguns trechos de Higienopólis (zona oeste da capital), no Leblon e em Ipanema (Rio) e até em outras cidades, como Buenos Aires”, diz Yazbek

Mas o vice-presidente do Secovi destaca que, mesmo com o crescimento expressivo, o número de aprovações é “muito baixo para uma cidade com o tamanho de São Paulo”, e um dos motivos é a falta de conhecimento das incorporadoras sobre o tamanho desse mercado. Não há certeza se há demanda, por exemplo, para tantas salas comerciais. “Encomendamos, juntamente com a Associação Comercial, uma pesquisa para tentar dimensionar a demanda por esses espaços”, completa Yazbek.

Os resultados devem ser apresentados neste mês. O PDE foi aprovado em julho na Câmara Municipal e sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) em agosto. A regulamentação da nova lei ocorreu em abril. A expectativa é de que as aprovações só se transformem em novos lançamentos imobiliários depois das aprovações da Lei de Uso e Ocupação do Solo e do Código de Obras, ambos em discussão no Legislativo e com previsão de aprovação ainda neste ano.

Repercussão

“A notícia é interessantíssima”, diz o arquiteto e urbanista Lucio Gomes Machado, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP). “Indica o início da mudança de uma mentalidade de mais de 40 anos atrás, que setorizava a cidade em zonas de trabalho, moradia, lazer e circulação. Não se percebia o quanto isso era danoso para a cidade.”

Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o arquiteto e urbanista Valter Caldana concorda. “Em 1972 a cidade adotou um modelo de desenvolvimento urbano rodoviarista disperso, em lei, o que introduziu uma coisa perversa: a segregação e a estratificação do território. Finalmente, parece que tal modelo se exauriu.” Caldana só vê vantagens no uso misto. “Primeiramente, porque aproxima a prestação de serviços do usuário do serviço. E porque cria emprego e renda perto de onde há moradia, reequilibrando a relação moradia, emprego e renda.”

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo

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Três novos prédios, três concepções inovadoras

USP Destaques nº 80 – 06/09/13

A paisagem da Cidade Universitária “Armando de Salles Oliveira”, em São Paulo, ganhará novos contornos. Está prevista a construção de três novos prédios, com projetos de autoria de renomados arquitetos brasileiros

A nova infraestrutura permitirá abrigar, à altura de uma universidade do porte da USP, órgãos importantes e de grande visibilidade e atualidade, além de coroar o ciclo recente de revitalização da estrutura física do campus, que inclui a restauração do prédio da Antiga Reitoria, com a construção das novas dependências do Conselho Universitário; o novo sistema de iluminação; a construção do Centro de Difusão Internacional e do Centro de Convenções, entre outras ações.

O Museu de Arte Contemporânea (MAC), o Instituto de Estudos Avançados (IEA) e o Núcleo de Estudos da Violência (NEV) terão nova sede, constituída por um edifício localizado na chamada Praça do Pôr do Sol, na Avenida Lineu Prestes, que estará integrado à Praça dos Museus.

A Praça dos Museus, projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha, prevê a construção das novas sedes do Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) e do Museu de Zoologia (MZ), em área contígua à Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia, com frente para a av. Corifeu de Azevedo Marques. A área total construída será de 53 mil metros quadrados. O local contará ainda com um saguão único para os museus, restaurante, café e belvedere. A previsão é de que as obras estejam concluídas até setembro do próximo ano.

O novo prédio do MAC, IEA e NEV, que também foi projetado por Rocha, terá área construída de 21 mil metros quadrados. A concepção do projeto preserva o caráter de espaço de lazer, recreação e de acesso público do local.

Será composto por praça associada a uma torre. A torre terá 12 pisos, com pés-direitos, plantas e estruturas diferenciados nos andares para atender às diferentes demandas de uso, como, por exemplo, instalação de reservas técnicas, acervos de bibliotecas e escritórios administrativos. A verticalização com liberdade de arranjos na construção permitirá uma melhor utilização da área ocupada.

No térreo, será instalado um grande salão para exposições do MAC, auditório, oficinas para atividades didáticas, entre outros espaços. No último andar, um terraço, com jardim e cafeteria, servirá como ponto de encontro e confraternização para funcionários, docentes e visitantes.

Prédio ambientalmente sustentável

O Centro de Estudos de Clima e Ambientes Sustentáveis (Cecas) será a primeira edificação ambientalmente sustentável da Cidade Universitária. O projeto nasceu da parceria entre o Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG) e a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) e integrará o Laboratório de Modelos de Sustentabilidade do Departamento de Tecnologia da Arquitetura da FAU e o Centro de Ciências da Terra e do Ambiente do IAG.

Trata-se de um edifício-modelo, concebido pelos arquitetos Eduardo de Jesus Rodrigues e Marcelo Andrade Romero e detalhamento arquitetônico do escritório de Paulo Bruna. Conta com três blocos funcionais e quatro pavimentos de escritórios e laboratórios, planejados para gerar toda a energia elétrica a ser consumida na etapa de uso e operação por meio da instalação de tecnologias solares.

No projeto, foram considerados três pressupostos básicos: a maximização da relação arquitetura versus clima, como forma de reduzir os futuros consumos energéticos (tecnologias solares passivas); a utilização das tecnologias ativas com baixo consumo de energia e a implantação de iniciativas de sustentabilidade e reduzido impacto ambiental durante as etapas de construção, uso e operação do edifício.

No novo prédio, localizado na confluência da Rua do Matão com a travessa V, estão previstos, entre outros aspectos, o controle da radiação solar por meio de protetores solares externos automatizados; a otimização da Iluminação natural e prateleiras de luz; ventilação natural com controle automatizado; resfriamento do ar pelo solo; geração de energia elétrica por meio do efeito fotovoltaico; automação e gerenciamento da energia com painel demonstrativo; captação de água de chuva para reaproveitamento em bacias sanitárias e irrigação de jardim; coletores solares planos para aquecimento de água em chuveiros e lavatórios; além da utilização de materiais de construção com conteúdo reciclado.

Inovação

O edifício do Laboratório de Inovação e Empreendedorismo, com projeto do arquiteto Ruy Ohtake, será construído na Escola Politécnica. A iniciativa conta com o apoio da Fundação para o Desenvolvimento da Engenharia, que destinou recursos para a contratação do projeto arquitetônico e executivo do novo prédio. Este será o primeiro laboratório do gênero no país, com nove mil metros quadrados de área construída, quatro pavimentos e projetado para abrigar o desenvolvimento simultâneo de até 30 projetos de grande porte.

A entrada do edifício será constituída por um espaço de exposição voltado para apresentar e discutir os projetos e protótipos dos alunos. O local vai abranger também trabalhos de outras áreas, como comunicação, design, vídeo e cinema. O espaço será organizado por dois paineis de vidro, em dois tons de azul semitransparente e, fixadas nesses vidros, células hemisféricas fotovoltaicas envoltas em semiesferas de acrílico vão gerar energia para uso do prédio. Com cobertura também em vidro, o espaço terá pé-direito de 12 metros.

O edifício estará localizado à Avenida Prof. Luciano Gualberto, travessa 3. Os três prédios estão em fase de elaboração de projeto executivo. Após essa etapa, será possível estabelecer o montante de investimentos a ser feito, dar início aos processos de licitação e elaborar o cronograma para as obras.