Lançamento do livro: “As virtualidades do morar. Artigas e a metrópole”, na FAU Maranhão

virtualidades

 

Data: 17 de março de 2016
Horário: das 16h às 18hs
Local: FAU Maranhão
Endereço: Rua Maranhão, 88, Higienópolis, São Paulo – SP

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AUH Encontros: “Um plano de gestão de conservação para o Edifício Vilanova Artigas”

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Mesa redonda: Acervo de documentos de João Batista Vilanova Artigas, na FAUUSP

A mesa redonda é parte dos eventos em comemoração ao centenário de Vilanova Artigas.

Data: 23/10/2015
Horário: 10h
Local: Auditório Ariosto Mila – FAUUSP
Endereço: Rua do Lago, 876, Cid. Universitária, São Paulo-SP

Exibição do filme “Vilanova Artigas: O Arquiteto e a Luz”, no IAU-USP

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artigas arq luz

Centenário Artigas – debates em homenagem ao arquiteto, na FAUUSP

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cent. artigas

Casa modernista de 1949 era confundida com igreja e fábrica; conheça

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Ledy Valporto Leal
Do UOL, em São Paulo

23/06/2015 07h00

O arquiteto João Batista Vilanova Artigas, que faria 100 anos em 2015, tinha apenas 34 quando construiu esta residência sexagenária (1949), para moradia de sua família (ele, a mulher e dois filhos pequenos). Situada no bairro do Campo Belo, na capital paulista, a Casa do Arquiteto, como é chamada, foi implantada em um terreno com 1.000 m², onde já havia a “Casinha”, construída por ele sete anos antes. Atualmente, as duas construções permanecem no local, separadas somente pela cerca-viva e tombadas pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio  Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico), como patrimônio histórico.

Estes poucos anos que separam as residências demarcam claramente dois períodos da produção do arquiteto, que ocupa posição ímpar no cenário arquitetônico nacional: foi um dos expoentes do Modernismo e da vertente do Brutalismo conhecida como “Escola Paulista” e projetou obras importantes como a sede da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU-USP), na década de 60, e o Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi (1952-1970). Artigas (1915-1985) influenciou decisivamente gerações de arquitetos, tanto através de sua obra, quanto como professor da USP.

Enquanto a “Casinha” é o lar do casal sem filhos e está identificada com a corrente organicista de Frank Lloyd Wright (1867-1959), a Casa do Arquiteto liga-se ao racionalismo de Le Corbusier (1887-1965). “A primeira emprega telhado tradicional com longos beirais e janelas até o teto, dispensando vergas (reforço estrutural). A segunda se caracteriza pelo uso do concreto armado na estrutura e pela ampla presença do vidro nas vedações”, explica o arquiteto e professor Alberto Xavier.

Artigas vale-se aqui de uma arquitetura “com personalidade, dotada de uma certa severidade na aplicação de princípios como: volumes geométricos claros e definidos, com preferência por coberturas convergentes (“telhado borboleta”), ambientes dispostos em pisos desencontrados, transparência e interpenetração espacial”, ressalta Xavier. Ou, mais especificamente, a casa – segundo  a historiadora e filha do arquiteto – Rosa Artigas, “formalmente acompanhava a linguagem da recém-inaugurada ‘arquitetura moderna brasileira’, identificada com a obra de Oscar Niemeyer, na Pampulha (1942)”.

Apesar de extremamente compacta (6 m x 27 m, o que permitiu recuo frontal com dez metros), a residência apresenta uma fisionomia dinâmica e espacialmente rica. Nela, o salão de estar, com janelas altas nas duas faces principais, abre-se para o grande vazio do terraço com pé-direito duplo,  arrematado pelo estúdio-biblioteca disposto sobre pilotis. Os espaços são interligados por uma escada contida, encaixada entre panos de vidro, e capaz de marcar significativamente este vazio com sua elegante silhueta.

Anti-burguesa

Na hierarquia da construção, o ambiente mais importante é a sala, destinada ao convívio. Ela foi palco de reuniões diversas, entre as quais as que agitavam o movimento estudantil nos anos 1960, promovidas por amigos e colegas dos filhos do arquiteto. Porém, as mais emblemáticas foram as do Partido Comunista, do qual Artigas era integrante. Estes, aliás, foram os encontros mais frequentes e históricos, segundo Rosa.

A casa em si é militante: conceitos de natureza ideológica  –  como a oposição aos hábitos da família burguesa, fortemente enraizados na sociedade da época – se manifestam no projeto. Na residência estão ausentes o quintal tradicional e o quarto de empregada. A cozinha, sem portas, é posicionada no “âmago” da construção e está conjugada aos banheiros, formando um “núcleo hidráulico”. Os espaços ganham uma hierarquia de comuna: sala de estar com dimensões generosas e quartos pequeninos e a disposição da garagem em ângulo quase periférico, de 45 graus à frente da casa, retira a importância do carro frente às pessoas.

Estas características tão peculiares, naturalmente, causavam estranheza às pessoas que por ali passavam em meados do século passado. Ou, como bem lembra a filha de Artigas, “elas tocavam a campainha para perguntar se era fábrica, oficina mecânica, igreja”. A obra do arquiteto, assim como sua pequena casa, estava à frente de seu tempo.

Ocupação Vilanova Artigas, no Itaú Cultural

O que significa pensar a arquitetura a partir de uma ótica humanista? O trabalho e a vida de João Batista Vilanova Artigas – arquiteto, professor, militante político e articulador de instituições culturais – são uma resposta a essa pergunta. Alinhado à comemoração do seu centenário de nascimento, o programa Ocupação enfoca a sua trajetória, de 24 de junho a 9 de agosto, no Itaú Cultural, em São Paulo.

Essencial para o urbanismo brasileiro e prestigiado internacionalmente, Artigas tinha como base a convicção de que a arquitetura tem uma função social e de que a profissão nasce do vínculo entre arte e técnica – um projeto, um “desenho”, é tanto funcional quanto expressivo. Além disso, preocupava-se com a integração das construções com a cidade – não deveriam se isolar, mas dialogar com ela.

Engajado, era militante do Partido Comunista Brasileiro (PCB). Por essa atuação, foi exilado pela ditadura de 1964 e perdeu o cargo de professor na Universidade de São Paulo (USP). Homem da cultura, participou da fundação e da organização de instituições como o Museu de Arte Moderna (MAM) e a seção paulista do Instituto de Arquitetos do Brasil (IAB/SP). Educador, defendia – quando o curso ainda era ligado ao de engenharia – uma formação específica e multidisciplinar para o aluno de arquitetura.

Encontros e 43 projetos em livro

A exposição reúne desenhos, plantas e manuscritos originais do arquiteto. Vídeos e documentos de época contextualizam o seu percurso e oferecem um panorama da sua produção arquitetônica. Na programação paralela, ocorrem ainda encontros, lançamento de livros e eventos dedicados a crianças e a toda a família.

Os encontros acontecem às quartas, sempre às 20h. Os arquitetos Paulo Mendes da Rocha – em 1º de julho – e Nabil Bonduki – em 8 de julho – tratam dos aspectos principais do pensamento de Artigas. Em 22 de julho, o desenhista Luiz Gê – que também é formado em arquitetura – conversa sobre as relações entre essa área e os quadrinhos. Já em 29 de julho, o músico Jorge Mautner relembra a convivência com o homenageado desta Ocupação.

No dia 1º, também será realizado o lançamento do livro Vilanova Artigas, de Rosa Artigas, filha do arquiteto, e Marco Artigas, o seu neto. A obra analisa 43 projetos – entre construídos e inéditos – que permitem uma discussão de fôlego a respeito do percurso de Artigas, com base em cinco anos de pesquisa no acervo do autor.

Eventos para toda a família

O sábado 11 de julho conta com outro lançamento: o infantil A Mão Livre do Vovô, de Michel Gorski e Silvia Zatz. Os autores criaram uma narrativa sobre desenhos que Artigas fazia para os seus netos, inventando histórias com eles e incentivando-os a criar figuras também. O evento começa às 14h30, com uma contação de histórias baseada na obra, feita pela atriz Ana Luísa Lacombe, e segue até as 16h.

No mesmo dia, ocorre por fim a oficina Casa de Ideias – Desenhos Artigas, na qual as crianças farão um brinquedo baseado nos desenhos infantis usando madeira, plástico, motores, fios, botões e outros materiais. São 40 vagas, com inscrições a partir das 13h30. A atividade será realizada das 14h às 15h30.

Ocupação Vilanova Artigas

Visitação
quarta 24 de junho a domingo 9 de agosto
terça a sexta 9h às 20h [permanência até as 20h30]
sábado, domingo e feriado 11h às 20h

Debates
sempre às 20h

Paulo Mendes da Rocha
quarta 1 de julho

Nabil Bonduki
quarta 8 de julho

Luiz Gê
quarta 22 de julho

Jorge Mautner
quarta 29 de julho

Lançamentos

Vilanova Artigas, de Rosa e Marco Artigas
quarta 1 de julho
às 20h

A Mão Livre do Vovô, de Michel Gorski e Silvia Zatz
com contação de histórias por Ana Luísa Lacombe
sábado 11 de julho
às 14h30


Oficina
Casa de Ideias – Desenhos Artigas
sábado 11 de julho
das 14h às 15h30

40 vagas – Inscrições com meia hora de antecedência